Artigo de Opinião

DUAL

18.02.202617:05
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Dá que pensar, a contradição na discussão pública em função do estado do tempo.

Perante as devastadoras consequências destas recentes tempestades, que tiveram ventos que arrancaram telhados em habitações, entre outros gravosos danos. O deslizamento de terrenos saturados com a grande quantidade de água das chuvas, que arrastou moradias que deixaram de ter condição para serem habitadas. Os rios cujos caudais alagaram todos as áreas circundantes, inundando casas e outras construções, causando elevados prejuízos em particular nos seus recheios. Perante tanta tragédia é óbvio que se questione o que poderia ter sido feito e não se fez e como evitar ou pelo menos atenuar as consequências em inevitáveis futuras tempestades. Predominou a acusação de um Estado ausente, que admite a construção de residências frágeis, quando deveríamos ter normas de construção que suportassem grandes velocidades do vento, cada vez mais comuns. Um adequado planeamento do território que impeça em zonas de risco de derrocada, a construção de edifícios. Assim como em terrenos localizados nos designados leitos de cheias. Em conclusão, teríamos de ter um Estado com legislação e regulamentos mais rigorosos na garantia da vida e dos bens das pessoas.

Porém quando a memória, e ela é bem curta, se ausenta com o bom tempo, a discussão pública é radicalmente oposta. A crise da habitação para ser ultrapassada, tem de haver flexibilização dos regulamentos e não é admissível um Estado controlador que impede as pessoas de construir a suas casas nos seus terrenos, sejam eles onde forem. Bem, como em Democracia o Estado somos todos nós, convenhamos que para termos um adequado rumo na governação… dá que pensar.