BEM-ESTAR
BEM-ESTAR
Dá que pensar, como a realidade num instante, derruba uma narrativa tida como racional e incontestável.
O bem-estar das populações deve ser o objetivo central da governação. Tempos houve em que muitos acreditavam que esse propósito passava por se acabar com a exploração do homem pelo homem, numa sociedade igualitária nos rendimentos através de uma economia controlado pelo Estado. Atualmente generalizou-se a adesão as leis do mercado, nomeadamente em que para haver distribuição de riqueza é necessário antes a existência de condições para que ela seja criada. Será preferível haver algo para distribuir mesmo com alguma injustiça relativa do que vivermos todos a penúria. As condições convenientes para se gerar riqueza passam por um ambiente de competitividade entre empresas para que as mais eficientes garantam mais rendimento para melhores projetos e menos impostos para um Estado ineficiente. Dito assim faz sentido. Porém vivemos recentemente uma realidade que confirma haver outras leis para além das do mercado, as da natureza. Alguns empreendedores viram os seus projetos destruídos; não porque os seus concorrentes foram mais eficientes; não porque as circunstâncias do mercado não lhes era favorável; não porque a equipa de gestão e colaboradores falharam; mas porque uma tempestade num instante, tudo derrubou. Havendo na sociedade uma estrutura solidária, um Estado que ajude com justiça às vítimas de circunstâncias alheias, esses empreendedores podem recuperar os seus projetos e de novo garantir o possível bem-estar aos que deles dependem. Assim que numa sociedade de bem-estar, importa garantir que as leis do mercado tenham margem para a solidariedade num Estado com capacidade e meios que evitem um vendaval de injustiça. Até porque a próxima tempestade a quem atinge? Dá que pensar.