"ai, o Amor ❤️"
“A dor de pensar – de ser lúcido – é a consequência da constante racionalização das emoções, da análise, da abstração. A intelectualização excessiva causa sofrimento, dor, angústia e frustração.” Fernando Pessoa
Haverá tema mais polémico que o amor?
Não consigo responder com clareza, mas talvez seja dos temas mais debatidos diariamente na nossa sociedade, nas redes sociais e na televisão.
Consegue o amor matar? Pode uma pessoa, um individuo, morrer simplesmente de amor?
Outra questão difícil de responder, mas, quase deduzo, que 95% da população assegura perentoriamente que não, ou melhor, o tempo cura tudo, até males de amor.
Será o homem ou a mulher capaz de matar por amor?
Toda a sociedade numa só voz garante que sim, sem sequer gaguejar, pois, basta-nos ler ou ouvir as notícias diariamente para, infelizmente, sabermos que é verdade.
Mas poderá, essa atitude tão radical, ser chamada de amor?
Talvez, uma grande parte da nossa sociedade, não tenha pejo em declarar que sim, pois, só quem ama loucamente consegue fazer tamanha barbaridade a outro ser humano.
Mas, onde se encaixa a outra parte da sociedade que, não concorda com o amor ou com as loucuras cometidas em seu nome?
Essa parte da sociedade também está muito presente para lamentar os acontecimentos, para maldizer quem cometeu os crimes e por vezes para inventar motivos mais lógicos para decisões tão radicais.
Para cometer tais atos, sejam eles por dor de amor ou falta de amor são necessários muitos tiros de coragem, depreendo eu!
Quando tais pensamentos avassalam a mente de um ser humano é porque o mesmo está doente, precisa de ajuda. Não precisa de ser julgado em praça pública!
Então, numa perspetiva mais geral, o Amor é um misto de bons e maus sentimentos que provoca nas pessoas todo o tipo de reações, positivas e negativas.
Ora, se por vezes o amor consegue levar o ser humano à lua, noutras tem o efeito inverso. Leva o individuo ao inferno.
O que mais pesa no individuo? A falta de ser amado, a falta de amor ou simplesmente não conseguir amar?
Recordemos Fernando Pessoa, um escritor fenomenal, mas que, infeliz em todo o seu ser, não conseguiu ser amado da forma que idealizava e por isso morria, no sentido figurado, de amor. Sim, de amor por Ofélia.
Não podemos esquecer que Fernando Pessoa tinha muitos heterónimos, muitos amores, mas, nunca foi correspondido verdadeiramente, como era, acredito, a sua pretensão.
A infelicidade que habitava dentro do seu ser era transportada para a sua escrita. Muito bela!
Mas, não só os homens sofreram imensamente de amor.
As mulheres também descreviam a sua dor de amor através da escrita, como a sempre saudosa Florbela Espanca. Cada poema é um espinho de rosa a ferir o seu belo coração.
Florbela Espanca transbordava amor e dor. Parece algo irracional, mas é real e algo frequente no presente. As pessoas estão tão envolvidas com elas próprias que se esquecem dos outros, que as rodeiam. E, nesse tópico, temos a ajuda eficaz das novas tecnologias.
Mais uma vez temos aqueles que concordam que as novas tecnologias vieram retirar espaço à parte social e familiar do individuo enquanto a outra metade da maçã discorda porque, para eles, são uma mais-valia em todos os cenários.
E onde reside o Amor?
O amor próprio? O amor pela família, pelos filhos, pelos pais? O amor pelo namorado(a)? O amor pelo cônjuge? O amor pelos avós? O amor pelos animais e pela natureza? O amor pela liberdade? O amor pelos amigos? O amor pela vida?
Onde fica o Amor?
O amor fica por aí.
Na boca de uns e outros.
Em manifestações de afetos cedidas gratuitamente pelo presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa.
O amor fica bem na altura do Natal.
O amor fica bem quando há uma desgraça global.
O amor fica bem na altura das eleições.
A amor fica bem em tempo de guerra.
O amor fica bem quando tudo acaba bem.
Mas o amo, não está presente diariamente, porque é um sentimento tão vulgarizado que quase não existe. Quem consegue definir amor, nos dias de hoje, sem recorrer ao Google? No Google encontra-se tudo! Ninguém… infelizmente.
Onde reside a empatia e a solidariedade com o próximo? Quando deixaremos de ser egoístas e hipócritas e ter a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, antes de o julgarmos? Espero que em breve!
Hoje, vivemos tempos de muita falta de amor que nos leva a cometer atrocidades sem limites.
E não existe lei que nos faça amar. As leis existem, mas não para esse fim. Não nos obrigam amar.
A capacidade de sentirmos advém da nossa maneira de encarar a vida. Se somos seres apaixonados ou não.
Quando usufruímos do amor o mundo fica melhor. Se estamos apaixonados existe primavera e verão todos os dias
Então vamos ser do grupo que concorda com o amor, com a paixão pela vida e pelo próximo.
Mas, sobretudo, vamos fazer parte daquele grupo que reconhece que erra e que os outros também têm direito a errar, porque, isso sim, é realmente amar. É amor verdadeiro.
O debate que existe na nossa sociedade sobre o amor é muito extenso e complexo, pois, abrange muitos tipos de amor. Não pode existir entendimento possível num tema tão mesclado como este se não houver respeito mútuo.
Nós, seres racionais, temos de ter a capacidade de respeitar, compreender e aceitar todos os pontos de vista, pois, só assim, atingiremos aquilo a que todos chamamos tão levianamente, de paz e amor.
“Todas as cartas de amor são ridículas (heterônimo Álvaro de Campos)