Presidenciais 2026: os resultados colaterais
Com a realização, neste domingo, dos atos eleitorais em falta da segunda volta, caiu o pano sobre as ‘Presidenciais 2026’. Mas nem por isso sobre os impactos dos resultados.
De forma pragmática, em causa estava a eleição do próximo Presidente da República. Mas não só… esteve também em causa a defesa da democracia, do Estado de Direito tal como o vivenciamos e o nosso sistema político e societal.
Os resultados foram claros: António José Seguro venceu, convenceu e afirmou-se capaz de desempenhar, com elevação e capacidade, o papel de representante máximo da nação.
Os resultados, concretamente nesta segunda volta, foram igualmente transparentes: perto de 70% dos portugueses defendeu e acreditou nos valores e pilares da democracia e do nosso sistema político.
Mas há uma outra leitura dos resultados que fica pendente do comportamento político do Governo nos tempos mais próximos (e não será preciso esperar pelo próximo Orçamento do Estado) e que corre paralelamente ao contexto presidencial: que espaço dará Luís Montenegro à extrema-direita para crescer no espetro político da denominada direita.
Da análise estrita dos números, tal como já referido, é claro que a narrativa da “liderança da direita” cai por terra e esbate-se numa ilusão populista do seu pregoeiro. Mas… e no futuro? Em termos de representação eleitoral, o que poderão significar ou valer os cerca de 300 mil votos a mais para além do ‘valor’ alcançado nas legislativas pelo Ventura/Chega?
As dúvidas e as incertezas, para não dizer as inquietudes, são muitas e significativas e preocupantes, pela forma como Luís Montenegro se borrifou para as linhas vermelhas, para o “não é (nunca foi) não”; pela perigosa estratégia de sobrevivência político-partidária com o inaceitável ‘silêncio eleitoral’ depois da pesada derrota do candidato da AD, Marques Mendes; pelo espelho do que têm sido as “perigosas ligações” parlamentares (lei da nacionalidade, lei dos estrangeiros, proposta laboral, etc.; pela facilidade com que quadros e militantes se deslocaram do PSD para a extrema-direita ou pelas referências históricas do partido, e da direita, que se afastam do percurso político e, até, ideológico que a liderança do PSD vem traçando no partido, desde a saía de Rui Rio. Não apenas no impacto interno no PSD (isso são problemas dos militantes), mas pelo que isso representa para o futuro do sistema democrático português, das nossas liberdades e garantias, do valor da Constituição e das instituições do nosso Estado de Direito.
Não é recente, já vem desde 2022, mas tem-se acentuado nos últimos tempos.
Como exemplos no PSD e na direita…
Ex-Ministra PSD, Manuela Aguiar ("Alianças constantes com o Chega e imigração" levam Manuela Aguiar a abandonar o PSD - fonte: jornal Expresso).
Ex ministros PSD criticam Luís Montenegro pela 'indiferença' na segunda volta das Presidenciais 2026 (como, por exemplo Miguel Relvas, Pedro Duarte, entre outros)
ex-Presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos: "Já não me defino como de direita" (fonte: CNN Portugal)