Artigo de Opinião

VIZINHOS

22.01.202618:17
VIZINHOS

VIZINHO

 

Dá que pensar, de que modo pode a União Europeia recuperar a força dos seus valores e manter estatuto de referência no mundo das nações.

Nas últimas décadas a ideia europeia predominante, defendia mais sociedade civil e menos Estado. As virtudes do desenvolvimento económico e social residiam numa dinâmica atividade económica de competição de onde resultariam as melhores empresas e modelos geradores de progresso. Todo o processo político que conduzia a uma maior integração dos estados membros parou. A dificuldade de uma abrangente implementação de um modelo político mais centralista e por consequência com menor poder dos governos dos seus membros, travou esse processo, até porque viviam-se tempos de alguma tranquilidade no quadro geopolítico internacional. Só que com a guerra na Ucrânia o Mundo ficou mais polarizado e perigoso. As autocracias projetam mais poder que a autoridade democrática e plural. Também é mais frágil uma estrutura política em que múltiplos membros de sensibilidades diversas dificultam o necessário consenso para a decisão com poder.

Sentindo ameaça por um lado e falta de coesão nos aliados pelo outro, a União Europeia nunca se sentiu tão insegura ao ponto dos que sempre invocaram o menos Estado e mais sociedade civil, defendam agora mais Estado e militar, para o qual os tão diabolizados impostos são agora tidos como imprescindíveis. Será que a promoção e difusão por todos os povos dos valores da democracia e do direito, que a Europa assumiu, em particular após a segunda guerra mundial, também deve ser suspensa?  O se queres paz prepara-te para a guerra é para muitos uma verdade absoluta. Mas o mais banal, se queres paz dá-te bem com o teu vizinho, não será bem mais eficaz?

Dá que pensar.