Triturar caracteres políticos (para não dizer… pessoais)
Não é preciso ir mais longe que 2012 e 2013. O PSD Aveiro transformou-se numa estrutura de joguetes e estratagemas eleitoralistas com o foco na ânsia do poder e numa máquina de “queimar”, em praça política, pessoas.
Foi assim em 2013 com Élio Maia (quer como presidente de câmara, quer como candidato autárquico). Foi assim com alguns dos militantes que entenderam apoiar Élio Maia. Foi assim com o Vítor Martins (que tantos renegaram e apontaram o dedo, mas que tantos beneficiaram política e partidariamente às suas custas). Foi assim com a Comissão Política Concelhia, este ano, a propósito das eleições autárquicas. Foi assim com Ângela Almeida (e importa não esquecer a dualidade de critérios e atitude entre uma ninharia de um pseudoproblema e o que aconteceu em Aradas). Foi assim com a troca de comunicados com a Rosário Carvalho a propósito de “núcleos ou não núcleos duros”. Foi assim e tem sido assim…
E foi, ou é, agora com a Maria Glória Leite, candidata da coligação à liderança da União de Freguesias da Glória e Vera Cruz, conquistas pela candidatura do PS encabeçada por Bruno Ferreira.
Não vou adjetivar a observação que o Eng. Ribau Esteves fez, na imprensa local (Notícias de Aveiro), a propósito da parca (tangencial) ou “pirra” vitória eleitoral da coligação, atribuindo a perda da União de Freguesias a uma “má escolha” da candidata que, no seu entender, é “má”. A liberdade de opinião confere o direito à sua análise… o ser feito em “praça pública” confere, no entanto, espaço à crítica e à rejeição do argumento.
O tal sabor “agridoce” da vitória poderia (ou até mesmo, deveria) ser fundamentado com o histórico da campanha e dos resultados: a adjetivação várias vezes usada e proferida, também publicamente, sobre a escolha do candidato da coligação; o facto do PSD/CDS ter perdido 4.139 votos (-12,95% dos votos) em relação a 2021 (ficando o PS a apenas a pouco mais de 2.000 votos); ter perdido a maioria no Executivo Municipal (menos 2 Vereadores e ver o PS conquistar mais 1 e o Chega o seu primeiro assento no órgão autárquico); ter perdido a maioria em 3 Freguesias (Aradas, Cacia, Eixo-Eirol); ter menos 3 eleitos na Assembleia Municipal (apesar de manter a maioria, por força das 9 Freguesias).
Mas mais do que tudo isto… É incompreensível, criticável e condenável que volvidos 5 dias, praticamente uma semana, não tenha havido, por parte de Luís Souto, da coligação e, até mesmo, por parte dos elementos que integraram a candidatura da Glória Leite uma única palavra (seja de apoio à visada, seja de repúdio pela observação feita). Era o mínimo que se esperaria de uma “equipa”, de um “projeto comum” e do esforço e dedicação que a Glória Leite demonstrou ao longo do processo eleitoral.
Já tinha sido por demais evidente a subserviência partidária ao Presidente cessante da Câmara Municipal de Aveiro, com o jogo e estratégia política de não confrontar, enfrentar ou contrariar, pelo que isso pudesse impactar com o resultado eleitoral.
É, agora, preocupante esta falta de coragem e personalidade política, esta falta de respeito para com os aveirenses, porque em nada indicia um bom caminho para a governação local. Se fazem isto “aos seus”, é difícil de imaginar o que poderá acontecer “aos outros”.
P.S. Declaração de interesses. Tenho um enorme respeito, consideração e amizade pela Glória Leite há muitos e longos anos. Nunca lho disse, nem o referi publicamente, a surpresa (e bem grande) que foi a sua opção para encabeçar a lista da coligação à União de Freguesias. Também não o vou explicar, nem mencionar publicamente. A Maria Glória sabe bem do que estou a falar. Apesar de tudo isso (e do que sei) é inaceitável a observação de responsabilidade e de avaliação política que lhe foi imputada e mais condenável o silêncio a que foi votado a devida e merecida defesa do seu carácter e do seu empenho. Os atos, ficam (sempre) com quem os comete. A história encarregar-se-á do resto.