Ponte da Vista Alegre: responsabilidade acima do ruído
Poucos temas têm suscitado tanto debate como a Ponte da Vista Alegre. É compreensível. Por um lado, significa que a atual governação autárquica tem tido uma aceitação generalizada. Por outro, estamos a falar de uma infraestrutura com enorme significado para as populações das duas margens do canal do Rio Boco. Mas é precisamente pela importância que se reveste esta temática que todo o processo deve ser conduzido com responsabilidade, transparência, rigor técnico, sustentabilidade e sentido de futuro.
Ao longo dos últimos meses muito se disse. Houve quem tentasse criar a ideia de que a Câmara Municipal desvalorizou este assunto ou que deixou de o considerar prioritário. Nada está mais distante da verdade. A Câmara nunca afirmou que a Ponte da Vista Alegre não era uma prioridade. O que sempre dissemos é que governar implica responder, em simultâneo, a várias prioridades, sem perder de vista uma, entre outras, que deve estar num patamar superior: a segurança das pessoas.
Foi essa preocupação que orientou as decisões tomadas desde o primeiro dia. Um mês após tomar posse, este Executivo encontrou um processo complexo, acumulado ao longo de anos e sem uma solução concreta. Encontrou uma ponte degradada, um projeto discutível (mas que não foi publicamente discutido) para uma nova infraestrutura, anunciado em 2025, sem o cpmpleto fundamento técnico (basta recordar o que deu origem a uma colossal derrapagem orçamental), e, acima de tudo, sem qualquer intervenção que tivesse travado a deterioração da estrutura existente ou uma qualquer resposta prática para quem diariamente depende daquela ligação.
Em vez de alimentar expectativas e vender ilusões políticas ou eleitoralistas, optámos por fazer aquilo que era devido: conhecer a realidade, promover rigorosas avaliações técnicas, analisar toda a informação disponível, ouvir especialistas e procurar responder a uma única pergunta: qual é a solução mais segura, mais sustentável e mais rápida para devolvermos a Ponte da Vista Alegre às pessoas?
Os relatórios técnicos foram claros. O estado da Ponte não permitia garantir condições de segurança para a circulação automóvel. Perante essa conclusão, não havia alternativa responsável ao encerramento. Sabemos bem os transtornos que esta decisão provocou e continua a provocar. Mas nenhuma pressão política pode sobrepor-se à obrigação de proteger vidas humanas. Não cedemos, muito menos face a instrumentalizações da opinião pública.
O aprofundamento da análise técnica demonstrou que existe uma alternativa credível: a reabilitação da ponte existente. Uma solução que responde às necessidades da população, evita um investimento que não garanta sustentabilidade das contas municipais e permite encurtar significativamente o tempo necessário para devolver esta ligação à sua função.
É esta a diferença entre anunciar e resolver. Entre apresentar projetos que demorariam muitos anos a concretizar e trabalhar para encontrar uma solução exequível, segura e financeiramente responsável.
A Câmara Municipal continuará focada nesse objetivo. Sem ruído, sem precipitações e sem transformar um problema sério num instrumento de combate político. O nosso compromisso é com as pessoas e com um Futuro Maior para o Município.
A Ponte da Vista Alegre merece uma solução e será mais breve do que a concretização do anunciado (meramente anunciado) em 2025, tecnicamente sustentada e capaz de garantir que esta infraestrutura continue a servir a Gafanha da Boavista e a Vista Alegre durante muitos anos. Porque governar é, antes de mais, assumir, com ética e responsabilidade, os desafios da gestão autárquica. E é exatamente isso que este Executivo continuará a fazer.