Artigo de Opinião

F35

08.07.202610:40
Dá que pensar

F35

 

Dá que pensar, a pressão exercida pela Força Aérea Portuguesa e setores da comunicação social, para que os aviões de combate F16 sejam substituídos pelos F35, devido ao compromisso de aumento da despesa militar no âmbito da NATO.

As guerras mais relevantes desencadeiam inovações tecnológicas no propósito de se obter vantagem sobre o inimigo. Na primeira guerra mundial as batalhas entre os exércitos aconteciam nas trincheiras onde foram introduzidas pela primeira vez armas químicas, tanques de guerra e no ar e mar aviões e submarinos. Já na segunda guerra mundial as trincheiras foram abandonadas e surgiram os inovadores radares, misseis balísticos e a tenebrosa bomba nuclear. Nas atuais guerras no Irão e na Ucrânia o armamento preponderante em guerras anteriores, foi substituído por armas inteligentes, drones, misseis e bombas guiadas por laser, satélites e a guerra eletrónica e cibernética. A Ucrânia e o Irão perderam praticamente todos os seus aviões de combate, no entanto resistem com a utilização das referidas novas armas, mais eficientes e de muito menor custo. Pode-se concluir a inutilidade dos aviões de combate? Provavelmente não, mas o dinheiro não cai do céu pelo que devem ser estabelecidas prioridades, nomeadamente em função da iminência e dimensão da potencial ameaça, bem como avaliação tão rigorosa quanto possível de onde com maior probabilidade poderemos ser atacados.

Claro que é assunto para especialistas militares, o que não é o meu caso, mas sou observador e enquanto observador não vejo esclarecimento que é devido numa sociedade democrática que tem o direito a saber como são gastas as suas contribuições e impostos. Como é compatibilizada a garantia de segurança com realismo e as necessidades de uma população com assinaláveis carências. Se assim não for, não estaremos já a perder a guerra? Dá… que pensar.