Artigo de Opinião

O saudosismo presidencial

08.12.202419:12
Podcast Politicamente Insurreto (temporada #1 - episódio #14)

Há poucos dias, Marcelo Rebelo de Sousa manifestava algum saudosismo da governação de António Costa.
No lançamento da 6.ª edição da PSuperior, uma iniciativa do jornal Público, para o ensino superior, que promove a literacia mediática, o Presidente da República afirmou: “dizia muitas vezes a um governante com o qual partilhei quase oito anos e meio de experiência inesquecível: um dia reconhecerá que éramos felizes e não sabíamos”.
Curiosamente, uma afirmação proferida num contexto em que estava análise os populismos (e os radicalismos) recentes e crescentes e a sobrevivência da democracia.

Ora, foi, precisamente, há cerca de um ano que Marcelo Rebelo de Sousa cedeu, mais uma vez, ao populismo, ao facilitismo político conjuntural e colocou em causa alguns valores que sustentam a democracia e um Estado de Direito. A leviandade com que tratou o pedido de demissão de António Costa e a dissolução da Assembleia da República foi um ato presidencial de ingerência na vida democrática do país, com consequências graves e perigosas para o radicalismo, o populismo e para a consistência da democracia.

Este rebate de consciência do Presidente da República, para além de tardio, é manifestamente inconsequente e um claro exercício de populismo. Para além de transparecer para o espaço público uma eventual insatisfação de Marcelo Rebelo Sousa para com a presente governação da AD, cujo contexto é da responsabilidade, e muita, do próprio Marcelo Rebelo de Sousa.
Há, no entanto, uma coisa que a afirmação do Presidente da República pode ser comungada e sublinhada por muitos portugueses: éramos felizes… a diferença é que nós sabíamos e Marcelo, à custa de um parágrafo e de uma investigação cheia de nada, fez-se esquecido.