INTERESSES
INTERESSES
Dá que pensar, porque os interesses se devem conciliar com os valores.
O poder das nações quer no relacionamento com as outras, quer na dimensão interna, como o conseguir meios que proporcionem qualidade de vida aos seus cidadãos e pela defesa dos interesses nas relações internacionais implica que os seus comportamentos, sejam vistos como credíveis pelas outras nações. A confiança é determinante em qualquer tipo de relacionamento. É assim necessário que se entenda como os outros vêm as questões e sobretudo que pelo histórico exista um comportamento coerente assente em valores que alimentam a confiança.
As nações europeias, concluído o período colonial, procuraram pelos seus exemplos internos, de valores democráticos e Estado de Direito, ser modelo onde o poder com regras garante os interesses dos cidadãos. Nos seus relacionamentos com o exterior, também procura aplicar os mesmos valores no interesse comum. Infelizmente nem sempre tem havido capacidade para se resistir à tentação do aproveitamento de circunstâncias aparentemente vantajosas, pondo de parte os valores. Quando essas circunstâncias deixam de ser exceções, a credibilidade perde-se. Os outros passam a ver hipocrisia quando se invoca o que não se pratica. O Direito Internacional, tem sido usado pelos estados europeus, com valores crescentes os decrescentes conforme nos seus aparentes interesses se pretenda subir ou descer e como se os outros não estejam a ver.
As aberrantes ausências de critério nomeadamente nos conflitos dos últimos anos, desde o conflito na antiga Jugoslávia, Ucrânia, Gaza e agora Irão, não ajudam a paz e matam a confiança, sem a qual… dá que pensar.