25-04
25-04
Dá que pensar, a crescente deturpação sobre o 25 de Abril.
Sendo verdade que o processo revolucionário provocou vítimas e excessos devido aos extremismos políticos, porém não impediram a realização da Democracia. Que um processo de transição evolutivo, como aconteceu em Espanha, seria preferível a uma revolução também é verdade, só que o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, não quis ou não pode fazer, o que fez o sucessor do ditador Franco, o Rei Juan Carlos, que embora beneficiando da experiência portuguesa, não se evitaram assassinatos e mesmo uma tentativa de golpe para o regresso à ditadura. Que a derrota dos golpistas revolucionários esquerdistas em 25 de novembro foi decisiva para a consolidação da Democracia, também é verdade, mas não é sério ignorar que antes, a 11 de março, o falhado golpe de forças da direita, deu motivação a esses esquerdistas revolucionários. Que os portugueses que viviam nas antigas colónias ficaram com os seus projetos de vida arruinados, também é verdade, mas foram mais vítimas da situação do que da descolonização, pois após com uma guerra de treze anos, é absurdo não se esperar consequências. Recordar que o então muito invocado exemplo da Rodésia deu em Zimbabué, e a África do Sul dominada por brancos também acabou. Sorte tiveram os povos cujos governos entenderam o tempo da descolonização.
Não há Democracia sem o povo, mas importa que seja consciente de que a construção democrática tem fragilidades que podem ser aproveitadas por quem a quer derrubar. Na madrugada de 25 de abril de 1974, militares arriscaram as suas vidas e hoje não faltam corajosos do insulto. A Liberdade é de todos, mas só se a soubermos preservar, senão… dá que pensar.