Dia de greve geral em Portugal contra o pacote laboral.
O país protesta contra a proposta do Governo para alterações à lei do trabalho.
Setores público e privado dão esse sinal numa jornada que promete afetar transportes, escolas, centros de saúde, hospitais, recolha de lixo, tribunais e que pode também afetar a área comercial, entre outros serviços do dia-a-dia.
No Hospital de Aveiro a adesão à greve ronda os 80%.
Márcio Sousa, delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, expressava descontentamento pela proposta de alteração às leis.
À porta do Hospital, relembrava que em três anos os profissionais passaram de heróis em pandemia a um quadro que tende a precarizar o trabalho(com áudio)
Médicos e enfermeiros falam em proposta que representa “retrocesso” para o país e agravamento do estado em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde.
Os enfermeiros nacionais alegam que a “gravidade” das propostas de alteração à legislação laboral impõe uma resposta.
Setores público, privado e social unidos no protesto.
As estruturas sindicais entendem que o Governo segue uma política de “revanchismo” contra a Agenda do Trabalho Digno.
Vários setores falam em sinal contra a “facilitação dos despedimentos”, a “precarização das relações de trabalho, pela flexibilização das regras de contratação a termo”, “desregulação dos horários de trabalho e a generalização do banco de horas individual”; “ataque ao direito de greve”; “enfraquecimento da ação sindical, limitando os direitos e a intervenção dos sindicatos nas empresas”; “diminuição de direitos de maternidade e parentalidade” e “redução das garantias na contratação coletiva”.
Os enfermeiros do setor público lutam, ainda, contra a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho proposto pelo Ministério da Saúde.
Reação ao “Banco de Horas” e políticas de “Adaptabilidade” alegando que “deixa de considerar como tempo efetivo de trabalho o tempo previsto para a transmissão de informação dos doentes internados, impede a progressão, retira o acréscimo de valor pago pelo trabalho noturno, nos fins de semana e feriados (as chamadas “horas penosas”) e agrava a já difícil conciliação entre a vida pessoal e profissional”.
A União de Sindicatos de Aveiro fez o primeiro balanço logo à primeira hora do dia.
Empresas do setor privado como a HORSE Aveiro (antiga RENAULT/CACIA), empresa do sector automóvel, registava uma adesão a rondar os 60% no turno das 22h às 06h e na TUPY (Funfrap) o turno das 23h00 às 07h estava nos 52% de adesão.
No setor da saúde, no Hospital da Feira, no turno das 23h às 08h, o Bloco Operatório encerrou e os serviços de Cirurgia, Oftalmologia, Ortopedia, Neurologia: Pneumulogia e Medicina Interna registavam adesão de 100% que baixava para os 80% na Ginecologia, Cardiologia e Pediatria. O núcleo de partos fixava-se em 66%.
A ERSUC tinha uma adesão de 87% o que deixa antever um dia mais complicado na gestão do lixo.
O delegado sindical do STAL, João Claro, dizia à porta da empresa que o dia era de sinal contra o pacote laboral (com áudio)