Alberto Souto Miranda não retira palavras à publicação sobre a entrada do Chega em cargo executivo com pelouros atribuídos na Câmara de Aveiro e reage à resposta de Diogo Soares Machado que o acusou de criticar hoje o que praticou no passado.
O antigo autarca reconhece que construiu entendimentos com vereadores que tinham sido eleitos pelo PSD mas diferencia os dois quadros políticos.
“Como é óbvio, mas o Diogo quer esquecer, o PSD de então era muito diferente do PSD de hoje e do Chega. Nada tenho contra consensos locais. Mas tenho tudo contra acordos com partidos anti-Abril, salazarentos, racistas e xenófobos”.
O candidato do PS às autárquicas de 2025 e que suspendeu mandato mantém a essência das críticas visando não apenas o vereador do Chega mas também o presidente da Câmara de Aveiro, Luís Souto Miranda.
“O Diogo já conheço há muitos anos. Todos na política aveirense o conhecem. O CDS conhece-o. Tão bem que não o quis. Já quanto ao Sr. Presidente, que há meses o distratava politicamente, descubro, entristecido, a sua pusilanimidade. Parece que não comprou silêncios. Comprou ruído: um sargento com poder de fogo de pólvora seca”.
Defende-se do ataque sobre a carreira política em cargos públicos e de administração em empresas públicas.
“O Diogo omite, porém, a parte mais relevante do meu percurso. Quis fazer passar a ideia de que fui um carreirista da política. É falso. A parte mais importante da minha vida foi ancorada no trabalho e na avaliação de mérito”, refere o político e docente universitário, primeiro jurista português do Banco Europeu de Investimento.
Souto considera que nos aspetos centrais da polémica está a entrada do Chega na Governação municipal e é aí que centra a crítica.
“Reitero que um acordo com um partido anti-Abril é um acordo de lesa democracia. Tão mau, tão mau, que o CDS se absteve, o Presidente teve de exercer o voto de qualidade e o Diogo Machado teve de votar nele próprio (!) para ter acesso às lentilhas. Não sei se isto é juridicamente válido. O que sei é que há um óbvio conflito de interesses: o Diogo votou a favor de ser atribuído a si mesmo (!) um vencimento a tempo inteiro. Nem adjectivo…Como alguém escreveu: a piada faz-se sózinha”.