Aveiro: "Não sou, nunca fui e não serei, homem de silêncios comprados" - Diogo Machado (Chega)

Diogo Soares Machado responde às críticas feitas ao acordo com o PSD e lembra que a memória não pode ser seletiva.

Evoca acordos do PS de Alberto Souto Miranda na Câmara de Aveiro para entrega de pelouro a um eleito do PSD e o acordo de incidência parlamentar de António Costa com PCP e BE para formar governo como duas faces da mesma moeda que agora os partidos de Esquerda criticam.

“O próprio Alberto Souto admitiu publicamente, durante a campanha autárquica de 2025, que governou (?) Aveiro em minoria no seu primeiro mandato, recorrendo a entendimentos com outros partidos e seus representantes – os Aveirenses com memória não selectiva lembram-se muito bem de que acordos e a quem me refiro – num modelo que, hoje, o próprio Alberto Souto expeditamente catalogaria como digno de bom merceeiro”, respondeu Diogo Machado perante o texto publico pelo vereador com mandato suspenso no 25 de Abril.

Machado diz que o que para uns era “pragmatismo”, “responsabilidade” e “respeito pela vontade popular”, há quase três décadas, passou a ser considerado “negócio de mercearia política de lesa democracia” e “traição aos eleitores”.

Alberto Souto afirma que “esta coligação não foi a votos” e acusa o PSD de “mandar às malvas os seus princípios para poder comprar um voto”.

Quanto ao Chega, o antigo autarca acusa Machado de “abdicar de criticar o poder, para poder partilhar um pelouro de lentilhas”.

Na resposta, Diogo Machado relembrou o acordo de incidência parlamentar que deu vida à Geringonça em 2015, no entendimento entre PS, BE e PCP.

“Se o Acordo de Governação celebrado entre o PSD e o Chega, em Aveiro, é mercearia política, o que terá sido a Geringonça? Um hipermercado? Com cartão de fidelização?”

Quanto à acusação ter sujeitado princípios à “compra” de voto, Machado lembra o passado de Alberto Souto na Câmara de Aveiro a quem acusa de protagonizar gestão flexível.

“O resultado dessa flexibilidade ficou devidamente registado e gravado a fogo, até hoje, nas contas do Município: uma dívida superior a 160 milhões de euros que é, ainda, lastro de peso inegável e inquestionável, hipotecando investimentos, projectos e o futuro de todo um Concelho”.

A "troca de voto pelo lugar" no executivo é o momento de aceso confronto político.

O vereador que agora assume funções executivas diz que vai manter a voz ativa mesmo com funções executivas ao lado de PSD e CDS.

“Esclareço e afirmo, para que não restem dúvidas: não sou, nunca fui e não serei, homem de silêncios comprados, muito menos de princípios de ocasião. No Chega Aveiro continuaremos, sempre, a dizer o que pensamos e a defender Aveiro intransigentemente, com ou sem a bênção de Alberto Souto ou dos seus camaradas”.

E devolve a acusações recordando a carreira de Alberto Souto enquanto gestor público, autarca e membro de governo.

“Se, para Alberto Souto, um pelouro municipal aveirense são lentilhas, como deveremos classificar os sucessivos cargos com que foi brindado ao longo de uma carreira política integralmente construída à sombra do poder socialista - dois mandatos à frente da Câmara, vice-presidente da ANACOM, administrador da Caixa Geral de Depósitos, Secretário de Estado de Pedro Nuno Santos em Governo de António Costa? Bife do lombo, certamente…”

Diogo Machado conclui a resposta com referências a Abril e ao valor dos votos nos eleitos do Chega como iguais a tantos outros colocados em urna.

“Chamar salazarento ao voto de mais de quatro mil aveirenses é, no mínimo, uma forma curiosa de celebrar a Liberdade. Ou será que a Liberdade e a Democracia só têm valor quando produzem os resultados que Alberto Souto e os seus camaradas aprovam e validam?”