Ílhavo: Maioria assume "orçamento prudente" e UpF diz que está a ser feita justiça ao passado.

O presidente da Câmara de Ílhavo assume o orçamento de 2026 como a resposta possível em ano de elevado investimento público em escolas, centros de saúde e habitação, sem "hipotecar o futuro" e com bases para poder pensar em novos investimentos apenas a médio prazo.

Rui Dias explica que perante o atual quadro de investimentos está obrigado a uma mudança de calendário em gestão que não pode prometer "tudo de uma só vez" e em que a governação está obrigada a fazer escolhas.

Há projetos que ficam adiados.

O autarca alega que os encargos de 11 milhões de euros na comparticipação em obras deixa “margem de manobra condicionada”.

“Está não é uma crítica ao passado”, explicou (com áudio).

Rui Dias diz que nessas escolhas a fazer há compromissos eleitorais como a construção de um pavilhão multiusos, a remodelação de instalações desportivas e beneficiação da Zona Industrial da Mota que vão levar mais tempo a concretizar e que não entram na lista de ação deste primeiro ano.

A maioria AD anuncia ano de investimento nas pessoas e destaca os 17 milhões de euros de investimento no setor da educação com obras nas escolas e a construção de um jardim de infância na Gafanha da Encarnação.

Na área social está reservado 1 milhão de euros, na saúde 6 milhões, de novo com destaque para obras em curso.

O mesmo acontece na Habitação com 10 milhões afetados ao programa 1º Direito e cuja execução está intimamente ligada a obras em curso e à espera de arranque.

A autarquia destaca investimentos previstos em formação e bem estar e refere que mesmo em tempo de constrangimentos garantirá 1 milhão de euros para programas e requalificação de instalações.

O setor da cultura absorve 1,2 milhões e as freguesias vão ter uma fatia de 700 mil euros para acordos de descentralização.

Rui Dias assume o orçamento de 2026 como exercício “realista”, evitando “exercícios de propaganda”, mas deixa claro que muitas das ambições não desaparecem, apenas ficam condicionadas.

Nesses mecanismos de planeamento, o autarca destaca a preparação de ferramentas essenciais como a revisão do PDM que abre caminho a projetos futuros.

O debate sobre Plano e Orçamento resultou num “confronto” entre os Planos do PSD e do Movimento Independente Unir para Fazer que deixou a liderança da autarquia em Outubro.

João Campolargo diz que fica provado que deixou “herança positiva” com mais de 29 milhões de euros em fundos europeus (com áudio).

Nessa comparação de valores assinalou a redução no orçamento e reclama os méritos da planificação de tesouraria que, segundo o ex-autarca, “estava bem desenhada”.

Na referência a um dos temas da campanha, Campolargo falou de processos judiciais para alertar para eventual subida de potenciais custos em processos dos 11 para os 13 milhões de euros.

Na relação com as Juntas de Freguesia não vê grandes novidades pela subida em linha com o aumento de 50 mil euros em 2025.

O mesmo aplica às associações.

Duas pastas que mereceram críticas no passado e que o ex-autarca diz não estarem assim tão diferentes.

João Semedo assinala  mudanças nos discursos, da campanha para o exercício, e saudou a forma como a liderança da autarquia passou a falar da herança.

“Parece-me que o discurso hoje é mais realista e mais consciente”, refere o antigo vice presidente na referência ao discurso sobre candidaturas às obras PRR.

Semedo quis saber se existe confirmação para projetos lançados e apresentados no passado como o parque urbano da Barra e parque urbano da Malhada.

Mariana Ramos criticou a falta de referência aprofundada ao turismo náutico no âmbito da estação náutica que mobiliza dezenas de parceiros e a falta de referência ao acolhimento do caminho marítimo para Santiago.

Os novos modelos de gestão de resíduos e a falta informação sobre o plano municipal de ação climática mereceram reparos da vereadora que tutelou ambiente e turismo.

Sónia Fernandes, vereadora eleita pelo PS, defende a conclusão de obras mas queria novidades em questões como os manuais escolares e a saúde oral, medidas emblemáticas há muito defendidas pelo PS.

Justifica o voto não pela concordância com as políticas mas pelo sentido de responsabilidade (com áudio)

Rui Dias insiste que os 11 milhões de euros em comparticipações nunca foram diabolizados.

O autarca assume a herança de grandes obras, os compromissos assumidos, e reafirma que o quadro em que se movimenta obriga a ser verdadeiro e prudente.

“Fizemos bem mas há uma conta para pagar. Não é problema. Temos nós porque estamos cá e teriam vocês se estivessem cá. Herdamos financiamento comunitário e bem”.

O autarca admite há questões que não dependem unicamente da autarquia e serão geridas com outras entidades.

Falou do parque urbano da Barra, pela influência do Porto de Aveiro, que irá reunir, pela primeira vez, com a autarquia no dia 15 de Janeiro para apresentação de cumprimentos.

Quanto ao Argus, em degradação no Cais Bacalhoeiro, vai passar por conversa com a administração da Pascoal e Filhos mas o autarca de Ílhavo não vê viabilidade na recuperação.

Admite vir a encontrar forma alternativa de musealizar um lugre bacalhoeiro para poder garantir uma memória viva mas com custos realistas.