Aveiro: Reabilitação do Bairro da Beira-Mar quer "desacelerar" a vida na cidade.

Aveiro quer o urbanismo a "desacelerar" a vida na cidade.

O projeto de qualificação do Bairro da Beira-Mar promete criar condições para uma vivência mais lenta e pensada para as vivências da cidade. 

Intervenção será faseada e dividida por três áreas distintas (Área Poente, Área Central e Área Norte).

Ação procura compatibilizar mobilidade, desenho urbano, património, infraestruturas e qualidade ambiental.

Trata-se de um investimento global estimado de cerca de 13 milhões de euros, estando prevista uma primeira fase de investimento na ordem dos 3 milhões de euros, seguindo um curso plurianual.

A autarquia anuncia uma definição de espaços dedicados às diferentes funções urbanas, sobretudo no que respeita aos percursos pedonais e cicláveis, às áreas de estadia e lazer e à escala atribuída ao automóvel.

As áreas reservadas à circulação rodoviária também vão merecer intervenção com previsível redução da carga.

Paula Teles, do gabinete responsável pela intervenção, especialista em questões de mobilidade, destaca a importância de criar espaços de contemplação na cidade e abrandar o ritmo (com áudio)

Haverá espaços partilhados em vias de uso comum mas em que o peão terá prioridade.

Anuncia-se reforço das “continuidades pedonais e cicláveis” e promovendo um “ambiente urbano mais equilibrado, seguro e confortável”.

A intervenção articula-se com processos de transformação urbana em curso na envolvente próxima, designadamente no Jardim do Rossio, no Cais do Alboi, na Rua do Gravito e na Rua do Carmo, garantindo coerência territorial e funcionamento em rede.

Luís Souto Miranda lembra que este projeto estava em marcha e suficientemente amadurecido para poder avançar (com áudio)

Eliminar barreiras e garantir acessibilidade plena a pessoas com mobilidade reduzida, levar à redução da velocidade automóvel, a reorganização do estacionamento, a criação de condições adequadas para a circulação e estacionamento de bicicletas, bem como a introdução de novos elementos de mobiliário urbano, zonas de estadia e tratamento paisagístico com reforço de arborização e elementos vegetais são propostas definidas no plano.

A intervenção visa a modernização de infraestruturas existentes, nomeadamente redes de águas pluviais, rede de incêndios e iluminação pública, prevendo a instalação de luminárias com tecnologia LED.

A primeira fase, cujo concurso para a empreitada a CMA pretende lançar ainda no 2.º trimestre do ano, incide sobre a Área Poente, tendo sido definida uma divisão da intervenção por arruamentos de forma a otimizar os processos de medição, orçamentação e execução da obra.

Integram esta fase o Cais das Falcoeiras, Rua Dr. Bernardino Machado, Rua dos Arrais, Rua de Abel Ribeiro, Rua das Velas, Rua das Tricanas, Rua do Lavadoiro, Rua António dos Santos Lé, Cais dos Mercantéis, Travessa das Falcoeiras, Travessa dos Marnotos, Travessa do Lavadouro, Largo da Praça do Peixe, Travessa do Rossio e Rua Trindade de Coelho.

A Área Norte compreende o Cais dos Boteirões, Travessa de São Gonçalinho, Travessa de São Roque, Rua Antónia Rodrigues, Rua das Tomasías, Cais dos Remadores Olímpicos, Rua Antónia da Benta, Rua do Arco, Rua João Henriques Ferreira, Travessa do Arco, Rua da Palmeira, Rua Dom Jorge de Lencastre, Rua Dr. Edmundo Machado, Rua Dr. António Christo, Rua de Manuel Luiz Nogueira, Rua da Tapada, Rua de São Roque, Rua do Primeiro Visconde da Granja, Largo Nossa Sr.ª das Febres, Antigo Cais de São Roque e Rua do Carril.

Já a Área Central integra a Rua das Salineiras, Rua do Sargento Clemente de Morais, Rua dos Marnotos, Largo da Apresentação, Rua do Tenente Rezende, Travessa do Tenente Rezende, Rua Domingos Carrancho, Praça 14 de Julho, Rua da Palmeira, Rua de Mendes Leite, Travessa da Caixa Económica, Rua de Marques Gomes, Arco do Comércio, Travessa dos Ourives, Rua Fernão de Oliveira, Rua Manuel Firmino, Rua Dom Jorge de Lencastre, Rua do Campeão das Províncias, Rua de São Bartolomeu e Largo de Vera Cruz.

“Trata-se de afirmar o Bairro da Beira-Mar como um espaço público inclusivo, humanizado e ambientalmente responsável, preparado para receber residentes e visitantes com conforto, segurança e autonomia”.

O PS criticou a apresentação sem que o projeto tivesse sido apresentado aos vereadores em reunião de executivo municipal.

Poucas horas antes da sessão pública, Rui Castilho, vereador da oposição, considerava que o diálogo com a população é importante mas lembra que o respeito institucional pelos eleitos aconselharia uma apresentação em sede de executivo (com áudio)