Luís Souto Miranda afirma que é necessário tempo para conhecer os cantos à casa e implementar os mecanismos de governação para produzir resultados e ultrapassar obstáculos colocados pela oposição.
O autarca de Aveiro aproveitou o discurso do feriado municipal para um ponto de situação sobre os primeiros seis meses de mandato marcados por polémicas e por clivagens com o maior partido da oposição (PS) e deixar nota de "vitimização".
Em discurso no feriado municipal virou o disco mas manteve a música.
“Deixem o Luís trabalhar” é a principal mensagem do dia 12 de Maio (com áudio).
“Naturalmente uma equipa nova necessita de algum tempo para conhecer a estrutura e o seu modus operandi, para se organizar, para começar a imprimir o seu próprio cunho pessoal e forma de estar e de agir. Este é um preço a pagar pela Democracia – só em ditadura se assegura a permanente continuidade e a administração experiente, mas serôdia. É inerente ao processo democrático e em particular à limitação de mandatos, que haja pontos de renovação, que novos rostos se aventurem pela política, que se abanem alicerces para construir de novo".
O autarca lembra que em seis meses trabalhou pela “continuidade dos grandes projetos” que transitaram do passado e pelas novas marcas que pretende implementar.
Afirma que é um trabalho feito contra “lutas de forças contrárias” que “tudo apostaram no bloqueio, no adiamento, na conflitualidade e na letargia”.
Destaca a concretização de projetos estruturantes como o Eixo Aveiro-Águeda; o novo Pavilhão Oficina; o Parque das Marinhas (antiga Lota) e as novas unidades escolares do Conservatório e Escola Homem Cristo.
A requalificação do hospital, o Centro Académico Clínico da UA e a rede de centros de saúde com nova estrutura em Nossa Senhora de Fátima, Requeixo e Nariz formam outra das frentes de combate político da nova maioria constituída por PSD e CDS e que agora conta com a integração do vereador do Chega em funções executivas.
A criação do museu dedicado à bienal de cerâmica artística contemporânea no edifício da antiga biblioteca é uma das apostas que irá merecer continuidade.
O autarca anunciou como novas apostas a iniciativa “Aveiro em Movimento”, unindo desporto, saúde e educação, e a revisão da Carta Educativa com aposta clara em inovação na educação.
Em relação ao passado recente haverá roturas com o regresso da taxa turística e projetos que serão substituídos por “novos conceitos e obras”.
Luís Souto não passou ao lado do tema da habitação e criticou quem fala do tema com “ligeireza” por considerar que não é em meses que se resolve o problema (com áudio).
Anuncia ajustes Estratégia Local de Habitação anunciando esforço de requalificação do parque habitacional acessível e promoção de projetos de habitação a custos controlados reservando a novidade para o incentivo ao investimento privado e cooperativo.
E deixou porta aberta para “alterar instrumentos de ordenamento onde e quando se justificar”.
“Só um discurso demagógico e miserabilista pode querer fazer passar a ideia de que o desafio da habitação se pode resolver de forma simples e em poucos meses”.
Na mobilidade anuncia estudo para reformular o trânsito na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, “Pontes” e Rossio e a criação de parques periféricos ligados a sistema urbano de acesso ao centro.
O autarca de Aveiro reservou referência à coesão territorial deixando claro que as políticas em curso contam com a “participação das freguesias”.
Anuncia a criação de “nova estrutura orgânica” na autarquia, “avaliação da funcionalidade dos serviços”, “reforço na digitalização” e “instrumentos de motivação” do pessoal.
Com delegações de Santa Cruz, de Cabo Verde, e de Goiânia, Brasil na plateia, o autarca fala de um Município aberto ao mundo.
“Eles são o exemplo vivo do que pretendemos para Aveiro – um município aberto à Europa sim, mas também ao Mundo, em particular lusófono. Sejam muito bem-vindos – há toda uma rede cultural, social e económica a construir em torno das cidades irmãs e amigas de Aveiro e da diáspora portuguesa”.
* discurso na íntegra em áudio