Agostinho Branquinho apresenta propostas para travar perda de bombeiros.

Agostinho Branquinho em conferência sobre o papel da economia social nas associações de bombeiros.

Antigo secretário de Estado participou em sessão integrada nos 130 anos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Ovar onde destacou os desafios, o impacto e o futuro do setor, num momento de reflexão estratégica sobre a Economia Social e o papel das Associações Humanitárias de Bombeiros.

A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Ovar promoveu, no dia 8 de maio de 2026, a conferência “A Economia Social nas Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários: Retrato, Problemas e Contributos”, apresentada por Agostinho Branquinho, antigo Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social. Integrada no programa comemorativo dos 130 anos da instituição, a sessão reuniu cerca de meia centena de participantes e constituiu um momento de reflexão aprofundada sobre o papel das Associações Humanitárias de Bombeiros no quadro da Economia Social em Portugal.

Com o conhecimento acumulado enquanto investigador e responsável político na área da solidariedade social, apresentou um retrato detalhado do setor, salientando a existência de cerca de 468 associações em todo o país e mais de 31.000 operacionais, entre voluntários e profissionais, constituindo uma das maiores redes capilares da União Europeia.

Sublinhou ainda o impacto económico significativo destas organizações, que geram emprego direto e indireto, asseguram formação, transporte de doentes, reduzem custos no SNS e protegem ativos económicos fundamentais para o desenvolvimento local.

Alertou, contudo, para problemas estruturais que exigem resposta urgente, como a perda de 10.000 bombeiros nos últimos 25 anos e a crescente dificuldade em recrutar voluntários.

Apresentou recomendações para o futuro do setor, incluindo a construção de uma imagem global das Associações Humanitárias de Bombeiros, a criação de estruturas de comunicação internas ou terceirizadas, a partilha de boas práticas, a diversificação das fontes de financiamento, a capacitação de dirigentes e colaboradores, a promoção da transparência e accountability, a cooperação em rede e o reforço legislativo do voluntariado.

Defendeu ainda a criação de um ecossistema jurídico que permita o desenvolvimento de um verdadeiro Direito da Economia Social em Portugal.