Filodemo, de Camões, na Casa da Cultura de Ílhavo.

Filodemo, de Camões, chega a Ílhavo.

Filodemo, uma das raras incursões de Luís de Camões no teatro, é trazida ao palco contemporâneo por Pedro Penim.

Depois de três semanas de casa cheia na Sala Estúdio Valentim de Barros, Jardins do Bombarda, em Lisboa, a peça chega a Ílhavo onde se apresenta esta sexta na Casa Cultura Ílhavo/23 Milhas.

Escrita provavelmente na juventude de Luís de Camões, Filodemo é uma comédia pastoril situada num universo rural idealizado, habitado por pastores e ninfas que vivem amores feitos de enganos e revelações.

Um retrato distante, quase anacrónico, das convenções e dos modos de amar de outro tempo.

É precisamente nessa distância que a encenação de Pedro Penim encontra espaço para o presente, propondo um diálogo entre a palavra clássica e as urgências contemporâneas.

“Num tempo em que certos discursos procuram cristalizar o passado e transformá-lo em instrumento de exclusão, o diálogo com os clássicos torna-se um gesto de resistência. Reencenar Filodemo é, por isso, mais do que celebrar o génio de Camões: é afirmar que o teatro continua a ser um lugar de disputa simbólica, de reapropriação e de liberdade”, afirma Pedro Penim.

“Esta encenação assume-se, assim, como um lugar onde o passado teatral português é revivido à luz das contradições contemporâneas, onde a presença dos corpos se afirma como ato de liberdade”, conclui.

A peça conta com interpretação de Vítor Silva Costa no papel de Filodemo, acompanhado por Ana Coimbra, Ana Tang, Bernardo de Lacerda, Guilherme Arabolaza, João Grosso, José Neves, June João, Mariana Magalhães e Stela.