União de Resistentes Antifascistas assinala lançamento de livros.

No dia 11 de abril, na Biblioteca Municipal Manuel Alegre, em Águeda, teve lugar uma apresentação de livros da URAP, na qual participaram largas dezenas de pessoas, tendo como orador principal José Pedro Soares, ex-preso político e coordenador nacional da URAP.

José Pedro Soares, falando sobre os livros “Elas estiveram nas prisões do fascismo” e “Cadeia de Caxias: a repressão fascista e a luta pela liberdade”, lembrou a dureza das lutas travadas durante o longo período da ditadura fascista, com milhares de homens e mulheres presos, torturados e assassinados nas muitas masmorras criadas para o efeito, tanto no continente como nas colónias, entre as quais se destacam o Tarrafal e os fortes de Caxias e de Peniche.

Questionado sobre a sua experiência como preso político, José Pedro Soares fez referência à crueldade da tortura a que foi sujeito pela PIDE, durante mais de um mês, quando tinha apenas 21 anos.

“Resisti, não traí nem denunciei camaradas, pois sabia que estava ali a ser sujeito àquela tortura porque alguém tinha traído e denunciado dezenas de camaradas”, concluiu.

A propósito do livro “Elas estiveram nas prisões do fascismo”, foi lembrado que não foram apenas homens que passaram pelas prisões da PIDE, mas também muitas mulheres, entre as quais perto de uma dezena eram de Águeda.

José Pedro Soares, que tinha sido preso em 1971 e libertado após o 25 de Abril, foi deputado nas primeiras eleições livres realizadas em Portugal — as eleições para a Assembleia Constituinte, que redigiu e aprovou a Constituição da República que há poucos dias celebrou o seu 50.º aniversário.

A este propósito, lembrou as conquistas económicas, políticas e sociais alcançadas com o 25 de Abril e consagradas na Constituição da República Portuguesa, entre as quais o direito à saúde, à proteção social, à educação, à habitação e ao emprego com direitos.

José Pedro Soares referiu que, apesar das “mutilações” que a Constituição já sofreu em sucessivas revisões constitucionais, “continua a ser o principal bastião do Portugal democrático saído do 25 de Abril, sendo por isso contestada por forças da extrema-direita”.

“Os imensos problemas com que a maioria da população hoje se debate, sobretudo nas áreas da saúde, da habitação e do custo de vida, bem como as ameaças decorrentes do pacote laboral que o Governo pretende aprovar — precarizando ainda mais os trabalhadores —, devem-se ao incumprimento do que a Constituição consagra, pelo que a luta deve ser no sentido do seu cumprimento efetivo”.

Daí ter salientado a importância de ser lembrado o significado do 25 de Abril, de modo a que, sobretudo junto das gerações mais jovens, se alargue a consciência da necessidade de defender as suas conquistas e de prosseguir a luta pelo cumprimento dos seus objetivos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

 

Núcleo Regional de Aveiro da União de Resistentes Antifascistas Portugueses