Tony Gaiato e Florbela Ferreira são Reis do Carnaval em Ovar.

D. Gayatus II - O Rei do Bronx e D. Belinha - A Misericordiosa são os Reis do Carnaval de Ovar 2026.

Trata-se de dois vareiros de gema, com uma forte ligação ao Carnaval de Ovar.

Ambos do proclamado bairro de Bronx, não dos Estados Unidos da América, mas sim de Ovar.

Querem trazer as suas raízes para esta edição: A irreverência, a ousadia e a liberdade a que se juntam a alegria, a harmonia e o saber cuidar.

Tudo características de um bairro com identidade e carisma que sobem agora ao trono mais desejado por qualquer bom folião. A coroação é já no dia 1 de fevereiro, na aguardada Chegada do Rei.

O Município de Ovar parabeniza os novos reis, na certeza de que são exemplos de dedicação, resiliência e sentido de pertença como os de D. Gayatus II - O Rei do Bronx e de D. Belinha - A Misericordiosa que tornam o Carnaval de Ovar único e que contribuem para a valorização das tradições e da identidade vareira.

António Silva é conhecido por Tony Gaiato, o apelido que enverga com orgulho recorda-lhe a infância em que esteve institucionalizado na Casa do Gaiato, em Paço de Sousa (Penafiel), Obra de Rua do Padre Américo.

Regressou a Ovar com 16 anos e o chamamento do Carnaval foi imediato.

Começou por ajudar os Magnates, um grupo já extinto, depois, durante uma década, vestiu as cores dos Vampiros.

A aventura carnavalesca conta ainda com sete anos com o símbolo dos Catitas ao peito.

Em todos os projetos a mesma alegria e a vontade de fazer. Nos bastidores, era pintor de excelência e o espírito aí vivido deixa muitas saudades.

“A emoção que é ver a maquete sair à rua é difícil de explicar”, confessa deixando a garantia: “só quem por lá passa consegue imaginar”.

Tantos desfiles, tantas memórias, não é tarefa fácil escolher o tema que mais o marcou.

Depois de uma análise cuidada, recorda os “Almeidas”, um conjunto de divertidos e empenhados cantoneiros, protagonizado pelos Vampiros.

El Rei D. Gayatus II esteve sempre perto. Enquanto funcionário da Câmara Municipal integrou a organização do Carnaval.

“Tinha que conciliar o trabalho e a folia”.

Foi responsável pelas montagens de estruturas, trânsito e questões de segurança.

Mostrar a excelência de um Carnaval com alma era a sua prioridade.

O Rei do Bronx é um monarca com currículo, já que este será o seu segundo mandato. D. Gayatus II não esconde o peso da coroa.

“Ainda não começou e já estou nervoso”, conta, antecipando um reinado de alegria. “Procurarei dar o meu melhor para representar um Carnaval emblemático e para estar ao lado dos grupos”.

Foi rei em 1992 e, ainda hoje, o coração bate mais forte, quando recorda o seu discurso na Chegada do Rei. “Foi uma apoteose de emoções”, conta deixando revelar um brilho no olhar. “É o Carnaval de Ovar”, conclui e, de facto, depois desta frase dita, há muito pouco a acrescentar.

À época havia um concurso para eleger o Rei do Carnaval. Tony Gaiato também concorreu em 1990 e 1991.

À terceira foi de vez. “Concorria por brincadeira. Fazíamos campanha nos grupos, nos cafés e tínhamos que apresentar um espetáculo no Cineteatro”. Conta quem viu que o show que deu a vitória a Tony Gaiato foi hilariante.

Era uma sátira à moeda única, o ECU. O nome não vingou, mas a performance sim. “Reuni um grupo cheio de potencial, tínhamos vários ministros e muitas propostas sem pés nem cabeça”, recorda entre gargalhadas.

Encarregado Geral na Câmara Municipal de Ovar, aposentou-se há poucos meses.

Tem uma garagem onde gosta de se entreter, pinta uns móveis aos amigos, faz uns restauros, mas a sua missão número um é ser avô.

Gostava de voltar a desfilar no Carnaval, admira as pessoas com mais de 70 e 80 anos que continuam a dar o seu contributo.

Quem sabe o que o futuro dirá. Em 2026, será o seu regresso enquanto Rei do Carnaval de Ovar.

Também a Rainha D. Belinha - A Misericordiosa faz parte da história do Carnaval.

Florbela Ferreira começou na Juventude Vareira com apenas onze anos, na Escola de Samba que sempre será a sua e que a viu dar os primeiros passos.

Foi destaque de chão, de carro, passista e esteve na comissão de frente.

Sempre com o mesmo entusiasmo, porque o ritmo do samba está-lhe no sangue. Desfilou até 2015, ano em que teve um acidente de viação.

Pensou que nunca mais voltaria, mas, dez anos depois, a Juventude Vareira fez a justa homenagem.

Num ano que reviveu os melhores momentos da Escola de Samba, foi uma das distinguidas.

“Quando subi ao carro chorei tanto, olhei para a Avenida e vieram tantas, tantas memórias”, recorda.

Dos tempos que desfilava, sempre de verde e rosa, recorda tudo. Datas, temas… nenhum pormenor lhe escapa. Os anos que mais a marcaram?

“A Primeira Mocada do Milénio” em 2000 e o “Olé” em 2005.

Ainda hoje está por perto, no local onde as melhores recordações ganham forma: os bastidores do Carnaval. Muitas horas de trabalho, diretas, convívio, laços que se apertam e memórias que ficam.

“Fazíamos tudo para a Juventude sair à rua, houve um ano que estive meses e meses a bordar o fato da porta-bandeira, eu a terminar e era hora do desfile”, recorda.

Quanto à missão de ser soberana, D. Belinha sabe que foi para isso que nasceu.

“Quando era pequena dizia aos meus pais: se não for princesa, um dia vou ser rainha”. Estava certa.

E como vê este título real? Com sentido de missão de quem deixa claro, “Eu faço tudo por Ovar”.

O plano está muito bem definido.

“A Rainha tem que amar o Carnaval de Ovar, tem que reinar e isso é estar em todas para espalhar a Vitamina da Alegria”, garante.

E quem é a D. Belinha - A Misericordiosa que todos conhecem do Carnaval de Ovar? Sempre pronta para celebrar em comunidade, integra as Marchas da Ribeira, sendo a porta-bandeira do Rancho da Ribeira.

É Assistente Operacional numa Escola Básica e diz sem hesitar: “As crianças são a minha paixão”, a qual, pelos vistos, é correspondida.

“No ano passado, quando regressei ao Carnaval até tive direito a uma claque com onze meninos”, conta.

Com um sorriso que logo contagia, está pronta para espalhar a sua luz e misericórdia.

 

Texto e foto: CMO