Carta aberta das Associação de Pais de Ílhavo ao agrupamento de escolas de Ílhavo e Câmara de Ílhavo pelo direito de acesso à componente de apoio à família sem obrigação de inscrição nas atividades extracurriculares.
Associações de Pais de Ílhavo pedem “liberdade de escolha” e apelam à Câmara de Ílhavo e à direção de agrupamento que não faça depender o acesso à componente de apoio à família (CAF) de inscrição nas AEC´s, o que confere carácter praticamente "obrigatório" à adesão sob pena dos filhos serem obrigados a sair do espaço escolar depois das 15h.
Representantes de associações levaram as preocupações à Assembleia Municipal.
A associação de pais da Chousa Velha diz que está em causa o direito das crianças ao brincar.
José Jesus vincou esse apelo em texto de carta aberta lida aos deputados, aos membros do executivo e ao agrupamento.
Argumenta que o direito à frequência na CAF e a consequente permanência na escola entre as 15h30 e as 17h não pode estar indexado à inscrição nas AECs.
As associações de pais defendem direito a não inscrever os filhos nas atividades extra curriculares.
Lamentam que as alterações ao modelo, em exclusivo em Ílhavo, tenham acontecido “sem aviso prévio” (com áudio).
Pais pedem respeito pela diversidade e pelo direito ao brincar ao ar livre.
Lembram que essa medida foi imposta nas escolas de Ílhavo e que nas restantes escolas do concelho tal não se colocou criando quadros diferentes no mesmo território.
Sara Silva, da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Coutada, diz que foi aberto caminho à imposição das AECs como obrigatórias uma vez que a alternativa seria sair da escola depois das 15h quando muitas famílias não conseguem responder a esse vazio.
Os pais admitem que a medida vai ter consequências para as famílias, para as crianças e até com possível impacto nos quadros de pessoal ao serviço das associação de pais (com áudio)
Sónia Cruz apoia o esforço de adesão às AEC´s mas diz que deve ser espaço de adesão livre.
Propôs mesmo o estudo da alteração do papel das AECs com atividades ao ar livre e espaço lúdico.
Recorrendo ao seu próprio universo familiar disse que os dois filhos que frequentam ou frequentaram a escola apresentavam visões e motivações diferentes para esse horário de transição.
Uns pedem para se inscrever e outros recusam porque não se identificação com algumas das atividades.
Os partidos também fizeram ouvir a sua voz com preocupação pela instabilidade criada no início de ano letivo.
PSD e PS admitem "legitimidade" do agrupamento mas falam em "absurdo".
Sobre a posição da autarquia, pedem canais de comunicação abertos com o agrupamento para "magistratura de influência" para impedir "devaneios quase ditatoriais" .
"Isto nunca aconteceu. Porque acontece este ano?" questionou Pedro Martins (PS)
Da bancada do PSD ouviram-se críticas à forma como o dossiê está a ser gerido.
"Preocupa-me a falta de diálogo e a arrogância" classificou Margarida Alves (PSD).
A autarquia pede ajuda para poder suportar um modelo mais flexível.
João Campolargo apelou ao diálogo entre associações de pais e direção do agrupamento.
O autarca confessou estar de mãos atadas alegando que a lei é para cumprir.
Ainda assim afirma que o modelo das AEC´s não é "obrigatório".
Desafiou os pais e deputados municipais com especialidade em direito a apresentarem pareceres que permitam enquadrar e compatibilizar o modelo pretendido com a lei (com áudio)