Câmara de Ílhavo: Estalou o verniz entre Rui Dias e João Campolargo.

Estalou o verniz na relação entre Rui Dias e João Campolargo.

A recusa do ex-autarca de Ílhavo em entrar na foto dos homenageados no aniversário dos Bombeiros abriu uma discussão em torno dos modelos de liderança e sobre a forma de estar na presidência da Câmara.

Convidado por Rui Dias para fazer parte da foto de família na festa dos Bombeiros, que distinguiam os protagonistas da aquisição do veículo especial de combate a incêndios, em 2025, o antigo Presidente de Câmara recusou o convite.

Um gesto censurado pelo atual autarca que fala em desrespeito para com o Município.

Campolargo abriu a sua intervenção no período antes da ordem do dia com explicações sobre esse gesto.

Fez 'mea culpa' mas diz que recusou a foto por não ver integrados o ex-administrador da APA, Eduardo Feio, e a atual Presidente, Teresa Cardoso, representada na cerimónia por Rogério Carlos, também ele administrador portuário.

Rui Dias não aceita a justificação apresentada pelo ex-autarca e diz que o gesto de Campolargo foi “grosseiro”, ao ponto de considerar que foi como deixar o Presidente de Câmara de mão estendida.

Acabam-se as cortesias entre as principais forças políticas representadas no executivo municipal de Ílhavo por três Vereadores em cada uma das forças.

Na resposta o autarca de Ílhavo anunciou que não voltará a convidar autarcas eleitos pelo Movimento Independente para momentos idênticos.

Ambiente crispado na reunião da Câmara Municipal de Ílhavo 

João Campolargo já antes tinha alegado falta de confiança no autarca em questões relacionadas com a instrução de assuntos levados a reunião de Câmara e Rui Dias tinha respondido não reconhecer esse capital de conhecimento ou ética da oposição para poder falar dessa forma.

Campolargo acusa Rui Dias de não estar a saber interpretar o papel de Presidente de Câmara e de denotar nervosismo perante as questões levantadas pela oposição.

Reunião de Câmara, esta manhã, com início marcado pela declaração do autarca de Ílhavo sobre mudanças no período antes da ordem do dia que passa a ser limitado a uma hora, com 25 minutos para os Vereadores do PSD, 25 para Vereadores do UpF e 10 para a eleita do PS.

Rui Dias deixa claro que faz cumprir a lei, deixando nota de desagrado pela forma como os Vereadores do Movimento Independente se têm referido à sua liderança com acusações sobre falta de respostas.

O Presidente da Câmara passa ao ataque e lamenta que um 'movimento recente' queira assumir os referenciais de ética e lisura perante partidos com dezenas de anos de poder autárquico.

Ambiente crispado nas últimas reuniões de Câmara com dossiês que agitam a vida política local.

A mais recente troca de acusações centra-se nas responsabilidades sobre atrasos na candidatura ao concurso da Direção Geral das Artes para o quadriénio que deixou o 23 milhas fora dos apoios nos próximos 4 anos.

O UpF alega que iniciou a preparação do dossiê e que passou os dados na pasta de transição em Outubro de 2025, o PSD alega que a responsabilidade nesse atraso deve ser imputada ao movimento independente por não ter consolidado o processo nos meses em que o concurso esteve aberto. 

Braço de ferro que leva o PS a falar em responsabilidades partilhadas e que deixam o Município mal na fotografia.

Outro tema lançado na reunião foi o projeto da APA na área do clube náutico da Gafanha da Nazaré para criar espaço de ancoradouro para pescadores e abrir caminho à modernização da marina ao lado da Empresa de Pesca de Aveiro.

Carlos Rocha quer saber se existia compromisso, financiamento e se João Campolargo ao subscrever o compromisso o fez pertencendo ao clube náutico e com interesses particulares. 

Na resposta surgiu a informação de que havia uma candidatura que garantiu 300 mil euros em apoio ao financiamento num projeto que vai obrigar a garantir mais um milhão de euros.

 

(áudio - edição das 16h30 na Terra Nova)