Ílhavo: Assembleia Municipal em "ajuste de contas" sobre "lei e ética".

A Assembleia Municipal de Ílhavo viveu uma noite de debate sobre “lei e ética” na política local e a recente passagem da vice presidente da Câmara ao regime de meio tempo abriu a caixa de pandora para um “ajuste de contas” entre as principais forças políticas.

A maioria PSD/CDS saiu em defesa de Eugénia Pinheiro salientando que ética e lei estão assegurados com o meio tempo que permite a remuneração de funções e, ao mesmo tempo, garantir que a condição de aposentada do ensino não é beliscada.

O tema esteve em destaque na primeira sessão de Setembro.

Unir para Fazer e PS confrontaram a maioria com o anúncio feito no início do mês sobre as mudanças no executivo.

Questionam a opção pelo meio tempo como recurso para enquadrar a política de rendimentos da vereadora na autarquia, antiga diretora de agrupamento de escolas da Gafanha da Nazaré, agora em condição de aposentada (1 de setembro de 2026).

Os partidos da maioria recusam essa visão deixando claro que lei e ética estão salvaguardados e sem prejuízo para o tempo disponibilizado pela autarca ao Município, acrescentando que há "poupanças" para os cofres municipais.

Rui Dias passou ao ataque e acusou o movimento independente de questionar a ética de quem governa quando ignora o caso do afastamento de Manuel Trovisco da direção da associação Amigos da Praia da Barra devido a um caso que envolve uso de fundos da associação.

O autarca de Ílhavo alega que casos de desvio de dinheiro configuram crime público e lamentou que se atirem pedras quando existem telhados de vidro.

Esta iniciativa viria a merecer o protesto de Pinto Reis.

O porta-voz do UpF lamenta que o autarca tenha chamado ao plenário um tema e pessoas que não estavam em sala para se defender (com áudio).

Debate abriu com uma análise de António Pinho à forma como os autarcas estão a ser olhados e expostos na vida política.

Deu como exemplo o caso da vereadora Eugénia Pinheiro que de uma vida feita de elogios à gestão escolar passou no espaço de um ano para o centro das críticas com acusações sobre falta de ética.

O vogal do CDS entende que os 50 anos do poder local democrático exigem cuidados especiais também na forma como são olhados e tratados os pares na vida política sob pena de transformar a gestão autárquica numa arena de combate.

A bancada do PS mantém a acusação sobre falta de ética.

O primeiro partido a reagir à mudança de enquadramento reafirma o que tem dito sobre o tema.

Sérgio Lopes considera que a solução encontrada serve apenas para responder a um interesse pessoal quanto à maximização de rendimentos.

Assume que o problema não é a capacidade de gestão do Município e o tempo disponibilizado mas a aplicação de um modelo que não corresponde ao estatuto do eleito no seio da autarquia.

Perante as garantias sobre “solução legal”, entende que a questão ética não deve ser secundarizada.

Flor Agostinho, do PSD, afirma que a visão do PS e do UpF vai acabar por penalizar estas forças políticas num caso em que não encontra motivo para críticas.

Citou exemplos do passado na autarquia com vereadores a meio tempo e com exercício de outras funções profissionais.

A bancada do PSD diz que ao manter críticas em torno deste tema a oposição acabará penalizada pelo eleitorado tal como aconteceu no passado. 

Pinto Reis, do Movimento Independente, chamou ao debate uma questão sobre a forma como os partidos se posicionam perante temas éticos.

Diz que de uma contratação chumbada para a entrada de um familiar de um vogal do UpF no mandato anterior, em regime de avença, se passou para a aprovação já pelo novo executivo de uma contratação de familiar do partido que está no poder.

Pinto Reis afirma tratar-se de uma ação que envolve familiar de um vogal do PSD.

O porta voz da bancada do UpF distingue a votação favorável dos vereadores do UpF como sinal de maturidade política e as posições de PSD e PS como incoerentes em relação ao mandato anterior.

Rui Dias viria a rematar o debate no período antes da ordem do dia com referência ao caso Manuel Trovisco.

Alega que o fez para confrontar o movimento independente com as suas próprias fragilidades.

O autarca diz não aceitar lições de moral de quem também terá “telhados de vidro” e declarou "total confiança política na vereadora" (com áudio)

A Assembleia Municipal regressa ao debate esta quarta-feira na segunda sessão de Setembro.