Amigos da Praia da Barra mudam liderança sob suspeita.

A Associação dos Amigos da Praia da Barra operou este verão uma mudança, "silenciosa", na liderança para conter os danos da retirada de confiança no ex-presidente.

Manuel Trovisco foi “forçado” a renunciar ao mandato na liderança da associação que passou, transitoriamente, para o vice presidente Gonçalo Pereirinha até que sejam realizadas novas eleições, previsivelmente em fevereiro ou Março de 2027.

Mudança coloca ponto final numa era de gestão marcada pela organização de grandes eventos.

A Associação que lidera organizações como o banho do ano, as festas de santos populares e atividades descontinuadas como a “Last Summer Party”, no final do verão, impôs essa mudança na gestão.

Foi retirada a confiança ao antigo dirigente, acusado de utilizar fundos da associação para fins não enquadrados no Plano de Atividades.

Crise interna ganhou novos contornos este verão e deixou a liderança de Manuel Trovisco, até então incontestada, em situação de isolamento.

Um caso que marcou a rotura institucional, mas não pessoal, ao ponto de procurar salvaguardar a imagem do ex-dirigente, num acordo para reposição de verbas.

Tudo envolto num manto de silêncio que se manteve durante este verão como forma de preservar associação e envolvidos.

No círculo próximo, Trovisco associou este momento a “guerras políticas” decorrentes da etapa em que são negociados os protocolos com as autarquias locais e que obrigam a escrutínio de contas, algo que terá passado à margem do crivo dos órgãos sociais.

Em termos oficiais, a associação fala em mudança motivada por “questões pessoais e internas”.

O muro de silêncio em torno das mudanças veio confirmar que Trovisco acabou “isolado” mas não ficou sozinho, mantendo os laços com a associação.

Antigo autarca do PSD e candidato à Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré pelo movimento independente Unir para Fazer nas autárquicas de 2025, Trovisco viu a confiança abalada e terá assumido, perante os órgãos sociais e a AG, erros na gestão.

Um quadro de desconfianças agravado, ainda, por relações tensas com a paróquia e que tiveram no mês de Junho o seu ponto de afastamento com a repartição dos fins de semana na organização das festas, sem cedência de material, o que viria a forçar a paróquia a encontrar meios alternativos para se instalar no mesmo local.

Fontes próximas destas entidades alegam que o mal-estar foi agravado por uma competição pela captação de fundos junto do comércio local.

A associação celebrou 35 anos, nos dias 31 de Julho e 1 de Agosto, junto ao farol da Barra, e a festa marcou a despedida de Manuel Trovisco de atos oficiais enquanto presidente.

Daí em diante deixou de ter visibilidade pública.

Com a situação interna normalizada e a transição de poder assegurada por membros da direção, a estabilização institucional permitiu, no início de Agosto, a celebração de protocolo de cooperação com a Câmara de Ílhavo.

Confiante de que o “mau tempo” estaria a passar, a associação deixava claro, ainda em Agosto, que toda a dinâmica instalada seria mantida em nome da valorização da praia da Barra.

“A Associação Amigos da Praia da Barra congratula-se por integrar este projeto conjunto e reafirma a sua disponibilidade para continuar a colaborar ativamente na valorização da Praia da Barra e do concelho de Ílhavo. Juntos, fortalecemos o associativismo e contribuímos para uma comunidade mais dinâmica, participativa e unida”.

Confrontado com as razões da renúncia, Manuel Trovisco remeteu-se ao silêncio e os atuais dirigentes falam em vida normal com manutenção de atividades regulares como o Banho do Ano, mercado de Natal, Magusto e Halloween.