O Bloco de Esquerda repudia a integração do Chega na coligação PSD/CDS-PP mas diz que não há surpresa.
A estrutura local do Partido entende que esse acordo surge em linha com o “discurso de ataque aos mais frágeis para proteger os poderosos e para proteger o atual regime de desigualdade social, modelo de regime partilhado por ambas as forças políticas e agora formalizado numa coligação”.
“Não é assim surpreendente. Ambos são partidos do sistema da desigualdade e da vida difícil para quem depende do trabalho, sendo o Chega nacional liderado por um ex-PSD e o Chega local liderado por um ex-CDS-PP”.
Para o BE, chocante é promover um acordo que surge ao arrepio de tudo o que foi dito em campanha.
“É, no entanto, uma decisão contrária à campanha desses dois partidos durante as autárquicas de 2025. E é grave por levar para a governação um partido que ambiciona a fascização da sociedade, no sentido de querer implementar um ataque às mulheres e minorias para garantir a presente ordem social de exploração do trabalho, baixos salários, habitação cara, desmantelamento dos serviços públicos e desigualdade social enorme e crescente”.
Define esse entendimento como “decisão grave” que “desprotege” as pessoas em condição de maior vulnerabilidade em Aveiro e no país.
“O racismo, a misoginia e a homofobia não podem ter assento na governação”.
Regista falta de informação sobre o acordo e nota que se fundem interesses circunstanciais ligados ao sentido de voto.
“Não há qualquer ideia ou política apresentada que sustente ou justifique a decisão. É assim claro que o presidente Luís Souto tem uma única preocupação: o poder absoluto e não os aveirenses. E Diogo Soares Machado quer partilhar o espólio da governação local. O oportunismo de ambas as partes não poderia ser mais evidente”.