O vereador do Chega na Câmara de Aveiro assume as “despesas políticas” do debate local e ataca a forma de fazer oposição do Partido Socialista.
Diogo Soares Machado que tem sido apontado como possível “quinto vereador” da maioria liderada por Luís Souto escreve que a oposição é para ser assumida com frontalidade e não em “jogo de sombras”.
Em texto publicado nas redes sociais, falou sobre o exercício político de “dirigir a oposição a partir do sofá”.
Referência à suspensão de mandato de Alberto Souto Miranda depois da derrota eleitoral em Outubro de 2025.
Machado admite que também não gostou de ter ficado como terceira força mais votada mas entende que o PS foi mais longe na reação à votação de outubro mantendo o vereador com mandato suspenso ao leme das operações.
“É uma solução elegante, uma espécie de teletrabalho político aplicado à oposição municipal socialista. Liderança em modo remoto, exercida com a tenacidade de quem continua convencido de que Aveiro se enganou redondamente, nas urnas”.
O alinhamento do discurso político dos quatro vereadores eleitos pelo PS com a mensagem de Alberto Souto Miranda fica retratada no discurso do vereador do Chega como jogo de sombras.
“Há quem veja nisto coordenação estratégica. Outros, menos românticos, talvez consigam identificar o clássico mister do marionetista experiente, confortavelmente instalado fora de cena enquanto as figurinhas de madeira executam o guião. A única chatice é que a política local raramente aprecia estas coreografias de bastidores. Sobretudo quando são conduzidas por quem regressou à vida política com pose de salvador e acabou confrontado com o incómodo estatístico de um segundo lugar”.
Diogo Soares Machado ensaia a defesa da maioria classificando o discurso de Alberto Souto com tendo tom “previsível, “azedume nas intervenções públicas”, “ressentimento mal disfarçado” e “curiosa energia dedicada a explicar por que razão o eleitorado, no fundo, não percebeu bem o que estava a fazer”.
Poucos dias depois de Luís Souto ter admitido, em entrevista à Terra Nova, abertura a uma base de entendimento, Machado mostra que está pronto para conversar.
“Aveiro já teve presidentes. Já teve líderes da oposição. Agora experimenta algo diferente: um autonomeado presidente-sombra, em regime de comando remoto. Resta saber quanto tempo durará a ilusão porque em política, como no teatro de marionetas, quando os fios ficam demasiado visíveis, o público deixa de acreditar na peça”.