Aveiro: CDS dirige críticas a vereador do Chega que criticou Nuno Melo.

Vereadores do CDS e do Chega no executivo municipal de Aveiro em rota de colisão quanto à política partidária fora da esfera do trabalho autárquico.

Clivagem expressa pela intervenção do mais recente vereador a assumir funções executivas nas redes sociais.

Diogo Machado teceu críticas ao líder do CDS, reeleito em congresso, e a vereadora Ana Cláudia Oliveira criticou esse ataque ao dirigente Nuno Melo, que integra a equipa da AD no Governo alegando que são declarações que prejudicam a imagem do Município.

Inspirado pelo congresso nacional dos centristas, Diogo Machado referiu-se a estratégias políticas do CDS para “sobreviver” e apontou baterias a Nuno Melo.

“O Partido CHEGA e o seu Presidente jogam, há já uns tempos, noutro campeonato, noutra liga, com outros horizontes e com um modelo de jogo que nenhum Melo conseguirá entender, por mais que se esforce e todos sabemos que não esforçam, porque pode fazer mal à saúde...Muito pouco lhes interessa saber quanto vale o CDS, em votos, em percentagem, em penetração no eleitorado, ou no que quer que seja. Para o Melo e para os seus brilhantes braços direitos - o Núncio das garraiadas e outros - o que importa é que o CDS vale um ministro, um secretário de estado, dois deputados e uns quantos assessores. E isso basta-lhes até à reforma, que eles próprios prevêem para daqui a 8 anitos”.

Ana Cláudia Oliveira, vereadora na autarquia e dirigente nacional do CDS, fala em “política com ressentimento” por parte do Chega e acusa o vereador de colocar em causa a imagem do Município.

“O CDS não nasceu ontem, não vive de ciclos mediáticos nem depende do insulto para afirmar a sua identidade. Tem história, pensamento, obra feita e presença em Portugal democrático há cinquenta e um anos. A gestão autárquica faz-se com bom senso, sentido de responsabilidade e respeito institucional. Faz-se a pensar nos Aveirenses e na resolução dos seus problemas concretos. E faz-se percebendo que as parcerias estratégicas, desde logo com o Governo da República, são fundamentais para defender os interesses do concelho, independentemente dos partidos”.

Ana Cláudia Oliveira diz que é com “estranheza” que vê o autarca do Chega de um executivo liderado pela Aliança Com Aveiro atacar um Ministro do Governo de Portugal, também da AD.

“Quando a trica partidária é colocada à frente dos interesses do concelho, quando se prejudica a coesão de uma equipa executiva apenas para ganhar protagonismo político ou notoriedade nas redes sociais, demonstra-se precisamente aquilo que Aveiro não precisa: falta de sentido institucional, falta de responsabilidade e incapacidade de distinguir governação de agitação”.

Defende o recente congresso como confirmação de um “partido vivo, mobilizado, com ideias, com quadros qualificados e com sentido de Estado”.

Quanto à postura do novo vereador entende que assenta no “populismo”.

“Não precisamos de gritar mais alto para ter razão. Nem de ofender para marcar posição. Nem de destruir para existir. Porque governar um município é muito mais exigente do que alimentar polémicas nas redes sociais”.