Henrique Vaz Duarte lança novo livro.
A guerra civil espanhola, o Portugal do Estado Novo, a emigração, a II grande guerra, o Maio de 68 em Paris e a revolução dos cravos atravessam a vida da figura central desta obra.
“Geografia dos Dias” é o novo romance do autor aveirense com lançamento agendado para o próximo sábado, às 15h30, na Biblioteca Municipal de Aveiro.
Edição a cargo da Editora aveirense 959.
História aborda o rescaldo da guerra civil espanhola e parte de uma emboscada sangrenta da Guarda Fiscal na fronteira transmontana.
Pilar é acolhida numa Quinta no Douro, propriedade da duquesa Catarina Vasques e Castro.
Com dezoito anos de idade e feitio difícil, adversa ao modo de vida burguês, é instruída por Catarina, recebendo o seu estilo, maneiras, posturas, colorindo outras formas de cumplicidade. Afeiçoados à rapariga de passado obscuro e inconveniente, o caseiro José Cristiano e o amante da duquesa, tenente Carlos Lousada, vão-na protegendo, mas não evitam a sua captura pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.
Salva em condições dramáticas por Catarina, é ajudada por um grupo secreto, disfarçado em companhia de teatro, a Choça, que a ajuda a abandonar o país, embarcando para Londres, onde é admitida no Executivo de Operações Especiais (SOE).
Como rádio-transmissora, é largada na Normandia, e junta-se à resistência com o instrutor capitão Alasdair McCaulay.
A vida clandestina fá-la conhecer Philippe Beaufort, bretão gaulista das Forces Françaises Libres, que virá a ser seu marido.
No pós-guerra, vivem em Haye-les-Bois, domínio senhorial dos Beaufort e em Caen, onde recupera os ensinamentos de Catarina, leccionando música.
Durante os abalos estudantis de 1968, em Paris, apoia o filho, um internacional situacionista expulso de um colégio católico e, mais tarde, solidariza-se com a resistência chilena, após o golpe de Estado.
Abril abriu-se-lhe em 1974, e vem a Portugal.
Porém, o tempo de há mais de trinta anos é passado estranho e a morada onde viveu um paradeiro desconhecido, o caminho do norte por desvendar.
Glenn Miller, Baba Yaga, Camelot, Paul Verlaine, Englandspiel, a República dos Kágados, Lord Lovat, a Abadia das Damas, Citac, Omaha Beach, Mendelssohn, as escolas de espionagem em Arisaig e Beaulieu, Kropotkine, whisky e habanos, o café Guarani, a estação ferroviária de Foz do Tua, o batalhão Louise Michel, o teatro Odéon, Pietro Mascagni e um cálice de Porto são, entre outros, os fotogramas da combustão iniciada em 1943, intervalada de devaneios e intermezzos soltos, e dissolvida no último atalho da Primavera de 2024.
O autor é natural de Aveiro e licenciado em direito.
Para além da escrita, tem obra nas artes plásticas com assinatura de exposições individuais e coletivas.