AMEAÇA 2
AMEÇA 2
Dá que pensar, qual a dimensão da ameaça da guerra alastrar a toda a Europa.
O czar russo Nicolau II, em solidariedade com a Servia, França e Grã-Bretanha decidiu participar na primeira guerra mundial, mas o seu povo que vivia em extrema pobreza, aderiu à revolução bolchevique que o derrubou. O novo regime saiu da guerra com perdas territoriais quando poucos meses depois os seus aliados a venceriam. O czar estava do lado dos vencedores, mas foi derrotado pelo seu povo.
No dia 26 de setembro de 1983, em plena guerra fria entre a NATO e a ex-União soviética, o tenente coronel Petrov que estava no serviço de controlo de vigilância anti misseis soviético, confrontado com o alarme de um ataque de cinco misseis, que o obrigava a comunicar no imediato aos seus superiores para contra-atacarem antes de serem atingidos, desencadeando uma guerra nuclear maciça, mas que por instinto desconfiou e conteve-se. Foi um falso alarme pelo reflexo da luz solar em nuvens de alta densidade. Felizmente o sangue frio deste oficial russo impediu a catástrofe.
Em 2007 o presidente Bush dos Estados Unidos acordou com o governo Polaco a instalação de misseis interceptores na Polónia. A justificação da administração norte-americana era a ameaça dos misseis da Coreia do Norte e do Irão, mas já o governo polaco invocou a instalação dos misseis como dissuasão à influência russa. Esta situação marcou o fim da relação de confiança entre a Rússia e a NATO acabando por contribuir para a atual invasão russa à Ucrânia.
Estes três momentos históricos ensinam muito. Que mesmo estando do lado da razão vitoriosa pode resultar em derrota se os seus cidadãos não suportarem as consequências. Que um falso alarme, híbrido ou de outro tipo, sem reflexo na verdade pode resultar em tragédia. Que semear desconfiança não floresce cooperação, nem dá o fruto da paz. Se não estamos perante uma ameaça… dá que pensar.