Sucedem-se as reações ao falecimento do “lobo do mar das letras”.
A Câmara de Ílhavo manifesta “profundo pesar” pelo falecimento de João Manuel Senos Nunes da Fonseca
Fala de um “ilustre e prestigiado ilhavense”, um dos “principais rostos e estudiosos da cultura marítima”.
“O Engenheiro Senos da Fonseca deixa aos ilhavenses e, também, à Região, um legado cultural e histórico, um património escrito e de conhecimento de inquestionável relevância para a identidade ilhavense”.
“João Manuel Senos Nunes da Fonseca foi mais do que alguém que inspirou, fortemente, gerações. Foi um exemplo e uma referência singular para os ilhavenses, pela sua dedicação à identidade e história da sua terra e das suas gentes, pelo seu ativismo político, cívico e cultural que engradecem o seu respeitável legado. Ílhavo está de luto pela perda de um dos seus Grandes. Descanse em paz”.
A Assembleia Municipal de Ílhavo manifesta “profundo pesar” pelo falecimento do homem que dedicou a sua vida ao tecido associativo, história ilhavense e cultura marítima.
“Deixa um legado ímpar de conhecimento e dedicação à história, à laguna e às tradições de Ílhavo, bem como um percurso marcante de intervenção cívica, cultural e associativa. O Município de Ílhavo perde uma das suas grandes referências”.
O Partido Socialista de Ílhavo manifesta pesar pelo falecimento do seu militante histórico, dirigente e autarca.
Foi pela primeira vez eleito, pelo PS, vereador em 1979, tendo também sido deputado Municipal entre1982 e 1985.
“A sua visão igualitária da sociedade, a sua preocupação social e com as desigualdades levaram-no a uma intervenção de profundo comprometimento com os mais desfavorecidos, dando expressão à sua matriz de homem de esquerda democrática”, refere o PS lembrando a intervenção social ao longo da vida.
Retrata o “carácter determinado, marcando profundamente e de forma indelével as associações onde foi dirigente, abarcando um leque alargado de tipologias, nomeadamente Bombeiros, Casci, Ilhavense, Museu Marítimo de Ilhavo e CVCN”.
O PS destaca, ainda, o “fabuloso legado etnográfico e literário, imortalizando-se pelo testemunho que imprimiu ao panorama social, cultural e político”.
Entre as IPSS e associações desportivas, a consternação é geral.
O CASCI manifesta pesar pelo falecimento de uma “figura incontornável na história da Instituição, de Ílhavo e de todos quantos, ao longo da vida, tiveram o privilégio de o conhecer”.
No período em que presidiu ao CASCI, Senos da Fonseca deixou “visão, rigor e uma dedicação ímpar”.
Hugo Lacerda, o atual presidente, afirma que sob a liderança de Senos da Fonseca, o “CASCI cresceu, consolidou-se e afirmou-se como um verdadeiro pilar da Comunidade, mas, mais do que os resultados alcançados e visíveis, perdura a memória de um Homem que tratava cada um com genuíno respeito e atenção”.
“Possuía a rara capacidade de estar presente. De ouvir, de acolher, de criticar e de fazer sentir a cada pessoa que o seu contributo era valorizado, mesmo perante divergências. Estas qualidades não eram protocolo, eram expressão do seu carácter”.
Lacerda afirma que o legado vai além das “imensas e relevantes obras literárias” ou dos cargos que desempenhou.
“Mede-se, sobretudo, no espírito que imprimiu em tudo a que se dedicou, nos valores que defendeu com firmeza e nas pessoas que inspirou ao longo de décadas de serviço à Comunidade.
Ao CASCI compete honrar esse legado, prosseguindo o caminho que ele tão profundamente ajudou a construir e amou”.
O Clube de Vela da Costa Nova já reagiu à notícia lembrando um homem que inspirou gerações e que liderou o CVCN.
“Ao longo de várias décadas, João Manuel Senos Nunes da Fonseca inspirou gerações através da sua intervenção criativa e inovadora quer se trate da sua atividade profissional, quer seja através da sua participação em diferentes instituições, onde liderou sempre com uma marca que perdurou no tempo e que é lembrada por todos que com ele se cruzaram”.
O Illiabum Clube fala em “perda enorme” para todos “quando parte alguém que sempre apoiou o clube”.
Fez parte dos órgãos sociais do clube e contribuiu para o seu desenvolvimento.
“Conhecido como um homem de trabalho e sempre dado ao associativismo. Sempre pronto para ajudar o próximo. Nunca esqueceremos os nossos”.
A Associação Humanitária dos Bombeiros de Ílhavo assinala o desaparecimento do 14.º Presidente.
Reage ao falecimento de Senos da Fonseca lembrando que o antigo dirigente conduziu os destinos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo entre os anos de 1980 a 1991, onde foi responsável, entre outras pela construção do anterior quartel, inaugurado 1991.
Em 2023, nas celebrações do nosso 125.º Aniversário, foi também autor do livro “A História da AHBVI”.
Os BVI referem que Senos da Fonseca “pautou a sua vida pela uma forte intervenção cívica e associativa, tendo liderado os destinos de várias Associações do Concelho” e foi “um dos principais historiadores de Ílhavo, especialmente na temática da construção naval das embarcações da Ria de Aveiro”.
Habitual em missões de “emergência” nunca virou a cara à luta.
No jornal O Ilhavense lutou pela manutenção da publicação centenária.
A antiga diretora, Maria Malaquias, fala de uma personalidade pronta para colaborar nos momentos de crise.
“Ílhavo perdeu um grande homem, investigador, historiador, escritor. Mas eu vou recordá-lo sempre como o grande e verdadeiro amigo. Como o poeta que era, que emprestava a todas as coisas da vida, mesmo às mais madrastas, a poesia de um sentimento profundo, a ironia da aceitação do inevitável”.
O funeral realiza-se esta quinta-feira, pelas 11h30, na Casa Mortuária de Ílhavo, de onde segue para o cemitério local.