Aveiro recebeu no início da semana mais uma reunião do projeto europeu V2G – QUESTS, consórcio do qual faz parte a Junta de Freguesia de Aradas com a Universidade de Aveiro, a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro e a PRIO.
O projeto sobre mobilidade elétrica envolve três estudos de caso europeus, em Portugal, nos Países Baixos e na Estónia, permitindo analisar realidades territoriais e sociais distintas.
Para Gonçalo Santinha, da Universidade de Aveiro e líder nacional do projeto, o VG2 procura compreender “de que forma a mobilidade elétrica e a tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), que permite aos veículos elétricos não apenas consumir energia, mas também armazená-la e devolvê-la à rede, podem contribuir para uma transição energética mais sustentável, inclusiva e socialmente justa, que possam beneficiar diferentes grupos da população e não contribuam para aprofundar desigualdades existentes”.
De acordo com o responsável, “Aradas funciona, neste contexto, não apenas como um local de estudo, mas como um território com o qual se procura construir conhecimento, ouvindo os cidadãos e compreendendo as suas perspetivas, necessidades e preocupações perante as transformações associadas à mobilidade elétrica e à transição energética”.
Em Portugal, a Universidade de Aveiro desenvolveu o estudo de caso na freguesia de Aradas, no concelho de Aveiro, envolvendo a população local e outros atores do território na investigação.
Foi, para Catarina Barreto, autarca de freguesia, uma “oportunidade muito relevante”, porque permitiu à freguesia estar envolvida “num projeto internacional que procura respostas para desafios que terão cada vez mais impacto na vida das pessoas, como a mobilidade elétrica, a energia e a sustentabilidade”.
Assumindo que esta é “uma participação pouco habitual para uma freguesia”, Catarina Barreto admite que Aradas fazer parte é algo que a deixa “muito satisfeita”, mas que o mais importante é o que a população “pode acrescentar ao projeto e também aprender com ele”.
“As freguesias têm uma relação de grande proximidade com as populações e um conhecimento muito concreto do território, e essa dimensão local é essencial quando queremos perceber de que forma a inovação e as novas soluções energéticas podem ser efetivamente integradas no quotidiano das pessoas. Ao mesmo tempo, permite-nos trabalhar e trocar experiências com universidades, investigadores e parceiros de diferentes países, trazendo para Aradas conhecimento, novas perspetivas e boas práticas”.
Presentes no encontro estiveram ainda o presidente e o vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto Miranda e Rui Santos.
Para o edil, “Aradas faz parte de um projeto europeu, o que é algo raro ter uma freguesia envolvida, que estuda sobretudo os desafios de dimensão social e da mobilidade suave urbana”.
“Para a autarquia esta é uma temática interessante, de novas formas de mobilidade, e estamos sempre empenhados neste tipo de dinâmicas, porque têm muito em comum com aquilo que temos nos nossos conteúdos programáticos”.
O projeto conta como parceiros institucionais a Universidade de Aveiro, a Universidade Técnica de Delft, a Universidade de Deusto, a Universidade de Tartu, a HAN Universidade de Ciências Aplicadas (HAN University of Applied Sciences), a Universidade Técnica de Graz e a Universidade Erasmus de Roterdão, para além da freguesia de Aradas, em Aveiro, a de Kanaleneiland, na cidade de Utrecht (Países Baixos), e Annelinn, em Tartu (Estónia).