A Unimadeiras, maior grupo de certificação em gestão florestal, defende que Estado poupa em apoiar diretamente os proprietários, mas estabelece metas mais duradouras e eficazes na necessidade urgente da prevenção.
Perante os impactos das tempestades que recentemente afetaram várias áreas florestais do país, a entidade sedeada em Albergaria, apresenta uma proposta de política pública que visa estabilizar o mercado da madeira e acelerar a recuperação do potencial produtivo da floresta portuguesa.
A proposta surge adaptada ao contexto atual e representa uma alternativa à criação de parques públicos de armazenamento de madeira, uma medida defendida por alguns produtores florestais para evitar a queda abrupta dos preços após eventos climáticos extremos.
O que a Unimadeiras SA sustenta é um modelo diferente que tem na base um incentivo público à recuperação do potencial florestal em vez da intervenção direta do Estado na compra e no armazenamento de madeira.
Uma abordagem que, segundo o maior grupo florestal português, permite responder à emergência económica criada por eventos climáticos extremos, enquanto reforça a resiliência estrutural da floresta portuguesa.
Segundo Nuno M. Pinto, Diretor de Sustentabilidade e Inovação do grupo Unimadeiras SA, “a experiência mostra-nos que os parques públicos de madeira não resolveram os problemas estruturais do setor e acabaram por gerar custos elevados, distorções no mercado e até casos de fraude que lesaram o Estado. Uma parte da solução passa por apoiar diretamente os proprietários, promovendo a gestão ativa e certificada. A medida anunciada ontem pelo Governo fica aquém porque está essencialmente focada na limpeza das áreas afetadas e na remoção da madeira derrubada, enquanto a nossa proposta tem uma abordagem um pouco diferente, centrada na recuperação do potencial produtivo da floresta, na estabilização do mercado da madeira e na promoção de gestão florestal ativa e certificada. É uma visão inovadora, mais eficiente, mais justa e que contribui verdadeiramente para uma floresta mais resiliente.”
Esta proposta que a Unimadeiras SA pretende entregar à nova equipa do Ministério da Administração Interna e aos grupos parlamentares setoriais correspondentes inclui ainda uma garantia associada à gestão sustentável, assegurando que os apoios públicos sejam atribuídos exclusivamente aos proprietários que adotem práticas verificáveis de gestão florestal, participem em mosaicos de gestão territorial e assegurem a manutenção das áreas reflorestadas.
Uma política que permitirá simultaneamente acelerar a recuperação das áreas afetadas pelas tempestades, reduzir riscos fitossanitários associados à madeira derrubada, estabilizar o funcionamento do mercado da madeira, promover uma gestão mais integrada da paisagem florestal e começar a reduzir o risco de incêndios.
“Eventos climáticos extremos como aquele que tivemos com as tempestades recentes e que perduraram ao longo de dias, tornam urgentes novas políticas públicas que estejam adaptadas a esta realidade e que respondam de forma ágil aos choques de mercado, sem distorcer o seu funcionamento. Num país onde a maioria da floresta é propriedade privada e altamente fragmentada, consideramos que incentivos associados à gestão ativa e à reflorestação representam a solução mais eficaz para mobilizar investimento, recuperar o território e reforçar a competitividade da fileira florestal portuguesa. Em suma, a nossa solução é adaptada ao contexto atual e futuro”, reforça, Nuno M. Pinto.
De acordo com estimativas preliminares, as tempestades que atingiram o território nacional em fevereiro provocaram a queda de cerca de dois milhões de toneladas de madeira, sobretudo em povoamentos de pinheiro-bravo na região centro.
Este volume extraordinário representa um choque súbito de oferta no mercado, com impactos logísticos e económicos significativos para proprietários florestais e operadores da fileira.
A Unimadeiras é uma empresa dedicada à produção, comércio e exploração florestal, com mais de 50 anos de atividade.
Envolve uma base de cerca de 700 acionistas e uma rede alargada de mais de 6.000 produtores florestais, assumindo uma posição de liderança no comércio por grosso de madeira em bruto e produtos derivados em Portugal.
A empresa participa ainda em processos de certificação florestal e presta serviços técnicos de apoio à gestão do território, contribuindo para a valorização da produção de pequenos e médios produtores.
No conjunto das estruturas que representa, encontra-se associada a uma área florestal certificada superior a 96.000 hectares.