Uma análise dos resultados da época termal de 2025 confirma que a Região Centro é o principal motor económico do termalismo português.
No ano passado, as estâncias termais do Centro de Portugal foram responsáveis por cerca de 56% da faturação nacional do setor, gerando um volume de negócios de 7,8 milhões de euros, de acordo com os dados da Associação das Termas de Portugal (ATP).
Os números confirmam a importância económica do termalismo na região e revelam uma evolução positiva da atividade.
No último ano, as estâncias do Centro receberam 75.778 clientes, mais 34% do que em 2024, enquanto a faturação aumentou cerca de 16%.
O desempenho foi particularmente expressivo no segmento do termalismo de bem-estar, que registou 59.351 clientes, um crescimento superior a 54% face ao ano anterior.
Neste segmento, a região Centro representa 46,5% da quota de mercado nacional, com uma faturação global de 2,3 milhões de euros.
Estes números acompanham uma tendência nacional de valorização das experiências de relaxamento e bem-estar, que têm vindo a complementar a tradicional vocação terapêutica das estâncias e a diversificar as motivações de procura.
Apesar da forte expansão do bem-estar, é no termalismo clássico, associado à utilização terapêutica das águas minerais naturais, que o Centro de Portugal mantém uma posição especialmente relevante.
As estâncias da região concentraram 61,2% da faturação nacional deste segmento, correspondente a cerca de 5,5 milhões de euros, e receberam mais de metade (54,5%) dos clientes que recorreram ao termalismo terapêutico em Portugal.
Para Vítor Proença, presidente da Inov@termas, entidade que dinamiza o projeto Termas Centro de Portugal, os resultados demonstram a importância de continuar a valorizar um recurso natural que constitui um importante fator de diferenciação da região.
"O Centro de Portugal tem um património termal extraordinário, que importa valorizar não apenas pela sua dimensão económica, mas também pelo contributo que pode dar à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida das populações. Estes números mostram que existe uma procura crescente pelas termas e que estamos perante um setor com capacidade para responder a diferentes necessidades e chegar a públicos cada vez mais diversificados", afirma.
Artur Salvador, coordenador do projeto Termas Centro de Portugal, sublinha que “estes resultados mostram que o perfil da procura termal está a transformar-se e que as estâncias têm hoje capacidade para atrair públicos com diferentes idades, necessidades e motivações. O crescimento do bem-estar é particularmente significativo, porque demonstra que cada vez mais pessoas procuram as termas não apenas para realizar tratamentos, mas também para descansar, recuperar energias e cuidar da sua saúde e qualidade de vida”.
“É precisamente esta visão mais abrangente do termalismo que estamos a procurar transmitir com a campanha ‘Entra em Modo Termal’. Queremos mostrar que as termas são espaços de saúde e bem-estar, mas também portas de entrada para descobrir os territórios, a natureza, a gastronomia e o património do Centro de Portugal”, acrescenta.
Os resultados de 2025 confirmam também a recuperação da atividade termal relativamente ao período anterior à pandemia.
O número de clientes nas estâncias da Região Centro ultrapassou o registado em 2019, quando tinham sido contabilizados 68.174 utilizadores, embora a faturação ainda permaneça cerca de 11% abaixo dos valores desse ano.
Esta evolução evidencia uma transformação gradual do setor, com uma procura mais diversificada e um peso crescente das experiências de bem-estar, a par da continuidade dos tratamentos termais tradicionais.
É neste contexto que o projeto Termas Centro de Portugal tem vindo a promover o posicionamento das estâncias termais como espaços de saúde, prevenção e bem-estar, procurando aproximar a oferta termal de diferentes gerações através da campanha "Entra em Modo Termal".
Com 20 estâncias integradas no projeto, distribuídas por diferentes territórios da Região Centro, a rede Termas Centro de Portugal reúne uma ampla diversidade de águas minerais naturais, infraestruturas e programas termais, constituindo um recurso estratégico para o turismo, a economia local e a valorização dos territórios.
A rede Termas Centro de Portugal, cujo promotor líder é a Inov@termas – Centro de Inovação e Qualificação, é um projeto cofinanciado pelo Programa Regional do Centro 2021-2027 (Centro 2030), no âmbito do Portugal 2030 e da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos), com o apoio da União Europeia.
A rede reúne atualmente 20 estâncias termais: Águas–Penamacor, Alcafache, Almeida–Fonte Santa, Bicanho, Caldas da Felgueira, Caldas da Rainha, Carvalhal, Cró, Curia, Ladeira de Envendos, Longroiva, Luso, Manteigas, Monfortinho (em manutenção), Piedade, Sangemil, São Pedro do Sul, Unhais da Serra, Vale da Mó e Vimeiro (em manutenção).