Festival Rádio Faneca leva cerca de 40 mil pessoas ao Centro Histórico de Ílhavo.

Festival Rádio Faneca leva cerca de 40 mil pessoas a viver o Centro Histórico de Ílhavo.

Tempo de balanço à edição deste ano de um evento que decorreu entre os dias 5 e 7 de junho no centro da cidade de Ílhavo.

Na 13ª edição, o 23 Milhas, projeto cultural do Município de Ílhavo, que organiza o festival, desafiou a comunidade e o público a pensar na sorte através de uma programação que incluiu concertos, projetos de comunidade sobre superstições, amuletos e crenças, mas também a partir de conversas na rádio que emite, ao vivo, em FM e online, ao longo dos três dias de festival e que é fio condutor da sua programação.

Ao longo de três dias, cerca de 50 eventos gratuitos, desde concertos, a teatro nos becos, podcasts ao vivo, brincadeiras no jardim ou cinema para a infância registaram a participação aproximada de 40 mil pessoas, além das centenas de ouvintes que acompanharam as 28 horas de emissão da rádio do festival, que emitiu em FM, online e também em simultâneo com a RTP Antena 3 num programa especial durante a tarde de sexta-feira.

Uma das grandes novidades desta edição foi um percurso pelo comércio local que consistia no preenchimento de uma caderneta de cromos através da ida às lojas em que estes se encontravam e a um desafio final para ganhar um prémio.

O jogo, da autoria de Francisco Calisto, estimulou a visita a 11 lojas do Centro Histórico.

Nos becos, Cecília Henriques juntou-se a Nuna, Roxana Ionesco e Maurícia Barreira Neves para criarem histórias sobre superstições a partir das histórias dos habitantes de Ílhavo com quem conversaram, mas também do arquivo de mitos partilhados pelo Centro de Documentação de Ílhavo.

Também pelos becos, casas e lojas ilhavenses, o projeto Casa Aberta, que acontece desde a primeira edição, levou a dramaturga, poeta e atriz Teresa Coutinho a trabalhar com várias famílias e grupos de amigos o tema da sorte, das superstições, da fé, das crenças e objetos que se herdam.

Neste projeto, as pessoas não só abrem os seus espaços a desconhecidos que se inscrevem para jantar, como lhes apresentam uma performance que desenvolvem com a artista convidada.

Ainda no labirinto do Centro Histórico ilhavense, o Beco das Barreirinhas acolheu os concertos dos encontros PRAIA, em que se desafiaram artistas da plataforma de registo de artistas ilhavenses para trabalharem em conjunto, juntando Designer Tiago, Luna Jacome e Núria Mandane e ainda Luana Torrão, Hugo Marques e Sekai.

Na 145 Townhouse, alojamento local no Centro Histórico que voltou a juntar-se ao festival, apresentaram-se os concertos de Asa Cobra, Sofia Leão e A Quatro Mãos.

Entre estes concertos, o público foi surpreendido com uma arruada da Orquestra do Mar com Filipe Sambado e três momentos em varandas do Centro Histórico com Inês Marques Lucas, noiserv e A Sul.

No caminho, durante os três dias, a Garagem d’Os Vizinhos, acolheu a instalação, que incluía oficinas para famílias, Moinhos Estrambólicos, que desafiava o público a refletir sobre as alterações climáticas.

No Jardim Henriqueta Maia, onde estavam as atividades e jogos tradicionais para os mais novos, este ano com os Almeidart, aconteceram os concertos e festas do Palco Jardim e do Palco Carlos Paião, onde atuaram Ana Lua Caiano, Bruno Pernadas, Sapatrux, noiserv, Sérgio Godinho & Os Assessores com o convidado Samuel Úria, Os Cinéfilos que Ninguém Pediu em dj set e, a fechar, a Orquestra do Mar com Filipe Sambado para interpretar António Variações.

Nota ainda para o MiniMercado de Trocas e Vendas e para as iniciativas Garagem Aberta e para o mercado de audiovisual 45 Rotações e Imagem, em parceria com a Junta de Freguesia de São Salvador. Este ano, o cinema regressou ao festival Rádio Faneca, em forma de ciclo de curtas para infância. A SUNO, associação de movimento e imagem fez a curadoria de «Sorte, Acasos e Coisas Estranhas», em que se apresentaram as curtas «Ahead», «Ice Merchants» e «O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto».

Na rádio, que regressou ao Jardim Henriqueta Maia, em que começou por acontecer, e que decorreu ao vivo, em FM e online durante quase três dezenas de horas, aconteceram várias entrevistas, programas, uma emissão especial da Antena 3, os jogos da rádio que incluíam uma roda da sorte, cerca de uma centena de discos pedidos, o podcast Os Cinéfilos que Ninguém Pediu, ao vivo, um programa sobre devoção e fé, promovido pelo Centro de Documentação de Ílhavo e ainda uma conversa sobre sorte, destino, amor e perda entre André Tecedeiro, Laura Falésia e o Clube do Pensamento, projeto do Laboratório do Envelhecimento, do Munícipio de Ílhavo. No Palco Rádio, atuaram Rita Cortezão, Inês Marques Lucas e A Sul.

Esta edição refletia sobre a sorte como uma questão de atenção e, numa das conversas da rádio, falava-se da importância de viver mais à superfície, atento aos outros e disponível para o cuidado com a comunidade que nos rodeia.

O Festival Rádio Faneca continua a apostar no encontro, na força do coletivo e na diversidade e na liberdade como princípios fundamentais.

Regressa em junho de 2027.

 

Imagem: cherimedia