Como um Poste de Luz pode ser visto como uma ferramenta de apoio a cidades resilientes?

Como um Poste de Luz pode ser visto como uma ferramenta de apoio a cidades resilientes?

Num mundo que enfrenta desafios relacionados com crise climática e rápida expansão dos centros urbanos, o conceito de cidade resiliente tem-se tornado cada vez mais algo a que devemos focar a atenção.

Idealmente, uma cidade resiliente deve ser facilitadora de recuperação e adaptação a disrupções (como por exemplo, eventos súbitos como cheias, ondas de calor ou crises económicas) e a tensões crónicas (como problemas persistentes de poluição, falta de habitação ou tráfego intenso).

Alguns pilares que definem uma cidade resiliente são: 1) Infraestrutura Inteligente e Adaptável, 2) Sustentabilidade Ambiental, 3) Inclusividade e Coesão Social e 4) Flexibilidade.

Neste sentido, as cidades devem transformar-se em ecossistemas inteligentes, sustentáveis e resilientes que priorizem o bem-estar humano e a saúde ambiental.

A mudança para Cidades Mais Inteligentes, Eficientes e Inclusivas requer mais do que melhores políticas; requer igualmente melhores ferramentas que permitam recolher dados que servem de apoio à tomada de decisões estratégicas.

Uma das soluções mais eficazes reside na reimplantação ou modernização da infraestrutura existente.

É aqui que o Projeto Interreg Europa RESONANCE, cofinanciado pelo programa Interreg Europe, assume um papel de destaque.

Concretamente, na vez de construir redes inteiramente novas, o RESONANCE foca-se num elemento urbano omnipresente: o poste de iluminação pública.

Ao transformar a iluminação pública em Postes Inteligentes, as cidades podem criar um sistema nervoso de dados e serviços que permitem sentir o pulsar dinâmico da cidade em pólos geradores de movimento e em pontos de baixa procura.

Intervencionar um poste de iluminação pública só para implementação de LEDs com vista à poupança energética, está ultrapassado.

Os postes já não são apenas fontes de luz; são pólos multifuncionais capazes de alojar carregadores de veículos elétricos (VE), células 5G, sensores ambientais e ferramentas de monitorização e comunicação de emergência.

A Universidade de Aveiro, em particular o Centro de Tecnologia Mecânica e de Automação (TEMA), faz parte da parceria de cooperação interregional no âmbito do Projeto Interreg Europe RESONANCE, que é liderado pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, e tem contribuído para um melhor entendimento do que estará ao nosso alcance para modernizar a infraestrutura existente.

Enquanto as cidades de toda a Europa correm em direção à neutralidade carbónica, a próxima geração de inovadores já se está a preparar para liderar o caminho.

No âmbito de uma parceria entre o Departamento de Engenharia Mecânica e o Instituto de Educação e Cidadania IEC, o Laboratório de Mobilidade Inteligente recebeu um grupo de alunos do ensino secundário.

As atividades decorreram na Universidade de Aveiro a 1 de abril de 2026.

A Universidade de Aveiro tornou-se um laboratório vivo para soluções de cidades inteligentes sob a égide do projeto RESONANCE Interreg Europe.

Sob orientação de Eloísa Macedo, investigadora da Unidade de Investigação e Desenvolvimento TEMA, um grupo de alunos do ensino secundário saiu da sala de aula para explorar como o mobiliário urbano quotidiano, especificamente a iluminação pública, pode ser transformado na espinha dorsal de um futuro urbano resiliente.

Após uma introdução imersiva à visão do RESONANCE, que defende a implementação de "Postes Inteligentes" para aumentar a eficiência energética e os serviços urbanos, os alunos foram desafiados a colocar-se no lugar dos decisores (stakeholders).

A sua missão: provar que um simples poste de luz pode ser muito mais do que apenas uma lâmpada.

Com os benefícios ambientais comprovados, os alunos focaram-se no "Onde" e no "Como".

Utilizando o Google My Maps, assumiram o papel de planeadores urbanos para desenhar um Campus Inteligente para a Universidade de Aveiro.

A sua estratégia baseou-se em três pilares estratégicos: Segurança, Monitorização Ambiental e Serviços à Comunidade.

A atividade culminou na criação de mapas digitais onde cada ponto foi estrategicamente justificado, apresentando uma visão holística de um ambiente de campus conectado e responsivo.

Utilizando ferramentas digitais acessíveis, propuseram cinco pontos estratégicos fundamentais:

1 - Centro de Segurança Reforçada: Localizado perto do Jardim de Infância e do Restaurante Universitário, focando-se em Iluminação Adaptativa para proteger zonas pedonais de grande movimento.

2 - Estação de Monitorização Ambiental: Colocada na rotunda entre o hospital e o campus para monitorizar a qualidade do ar e o ruído através de sensores em tempo real, abordando o elevado fluxo de veículos.

3 - Gestão de Estacionamento Inteligente: Utilização de postes para monitorizar a ocupação do estacionamento, comunicando os lugares disponíveis aos condutores para agilizar o trânsito e reduzir o tempo de circulação.

4 - Ponto de Serviço à Comunidade: Um polo para a era da "Micromobilidade", fornecendo Wi-Fi, tomadas elétricas e pontos de carregamento para carros e trotinetes elétricas.

5 - Informação de Trânsito Inclusiva: Junto a paragens de autocarro, com ecrãs E-paper com horários em tempo real e um Botão de Acessibilidade desenhado para transmitir informações por áudio para pessoas com mobilidade reduzida.

Os resultados da atividade interativa forneceram mais do que apenas dados.

Ofereceram um vislumbre de como a "Geração Digital" perceciona a infraestrutura urbana.

Para estes alunos, um poste de iluminação já não é só um objeto estático, mas um pólo digital capaz de albergar serviços de carregamento de um veículo elétrico, contribuir para mitigar emissões poluentes, monitorizar o tráfego, gerir eficazmente os parques de estacionamento e manter a comunidade segura através da incorporação de sensores e câmeras de monitorização/vigilância.

"Ver o envolvimento dos alunos com a visão do RESONANCE a um nível tão prático é inspirador", observou Eloísa Macedo. "Os alunos não se focam apenas na tecnologia; eles compreenderam o impacto, o benefício. Ao envolvê-los num processo de planeamento, ganhamos novas perspetivas sobre como as gerações futuras esperam que as suas cidades as sirvam".

No seguimento desta atividade, o programa financiador do projeto RESONANCE considerou de relevância disseminar junto da comunidade do Interreg Europa os detalhes desta iniciativa, através da publicação no website de uma notícia.

Tudo isto demonstra o compromisso da Universidade de Aveiro em promover uma ponte colaborativa entre a investigação e a comunidade local que, em última análise, beneficiará destas transformações de cidades inteligentes.

Ao capacitar os jovens para novas soluções a partir da infraestrutura existente, estamos a progredir na direção de uma geração mais alerta e com espírito crítico construtivo, com foco em soluções orientadas para impactos.

 

Eloisa Macedo