A Juventude Socialista de Aveiro (JS Aveiro) realizou, no passado sábado, no Café Amizade, a sessão pública “Estado da Arte”, uma iniciativa dedicada à reflexão e ao debate sobre o setor cultural.
O evento reuniu diversos agentes do setor com o propósito de analisar os desafios culturais do concelho e debater o papel da cultura enquanto pilar fundamental para o desenvolvimento social, a inclusão e a coesão territorial.
O encontro contou com uma mesa-redonda composta por Inês de Carvalho, Pedro Ribeiro e Fernando Veloso, sob a moderação de Guilherme Ala.
Painel proporcionou um espaço de debate sobre a articulação entre o desenvolvimento cultural, o planeamento urbano e as instituições locais.
No decorrer do debate, foram apresentadas perspetivas críticas e propostas relativas ao panorama cultural do concelho.
Inês de Carvalho defendeu a necessidade de assegurar a autonomia e a descentralização da criação artística, afirmando que "a arte não pode pedir licença e não se pode restringir".
A oradora sublinhou ainda a importância de estruturar estratégias de proximidade.
"É preciso cultura de proximidade. As coisas podem acontecer, é preciso haver vontade política".
Por sua vez, Fernando Veloso centrou a sua intervenção no planeamento de infraestruturas, questionando a ambição do município na criação de espaços de centralidade cultural. "Aveiro criou um espaço nobre para se adicionar cultura? Aveiro pensa pequenino! Deveria existir um espaço de referência cultural", apontou, instando a uma visão mais abrangente no desenvolvimento da rede cultural local.
A importância do ordenamento do território na dinamização cultural foi igualmente corroborada por Pedro Ribeiro, que defendeu uma abordagem integrada.
"Devemos repensar o espaço público também para a cultura".
No plano da cooperação institucional, o artista plástico Tiago Margaça assinalou a existência de uma "fronteira invisível" entre a instituição universitária e a cidade no ecossistema cultural.
O artista plástico enfatizou a necessidade de potenciar sinergias entre a produção de conhecimento académico e a atividade cultural da cidade de Aveiro, apontando como um vetor estratégico para a valorização dos recursos e para a estruturação de uma oferta cultural mais acessível e integrada.
O presidente da JS Aveiro enquadrou o debate na conjuntura social contemporânea, marcada pela “polarização”, reforçando o papel da cultura na promoção de plataformas de diálogo e na valorização da pluralidade de perspetivas.
Na mesma linha de reflexão, João Sarmento destacou o posicionamento estratégico que a cidade deve assumir no plano regional.
"Queremos uma cidade que também transmite cultura. É a nossa obrigação enquanto capital de distrito".
Com o intuito de converter as conclusões do debate em medidas programáticas, o presidente da JS Aveiro anunciou que a estrutura partidária irá estudar um conjunto de propostas sob a forma de recomendação para submeter à apreciação da Assembleia Municipal, assegurando assim a continuidade institucional das reflexões produzidas.
Presente no evento, Paula Urbano, vereadora e presidente da Comissão Política Concelhia do PS Aveiro, validou a relevância e a oportunidade da iniciativa, reiterando a importância de traduzir a reflexão cultural em ação política concreta.
A responsável manifestou ainda o compromisso de integrar estas ideias na formulação das propostas do Partido Socialista a serem apresentadas em sede de reunião de Câmara Municipal.