O Movimento Independente Unir para Fazer afirma que a presença de mais de meia centena de pessoas na tertúlia sobre a Ponte da Vista Alegre fica como sinal da “oportunidade” e “relevância” do tema e deixa claro que os discursos apontam para a necessidade de restabelecer a ligação entre as duas margens tão cedo quanto possível acentuando que o futuro da Ponte da Vista Alegre “não pode ser discutido sem sentir aqueles que diariamente dependem dela”.
“A principal conclusão da tertúlia foi clara: a população quer soluções, quer respostas e quer um compromisso efetivo com o restabelecimento da ligação entre as duas margens com a construção de uma nova ponte”, conclui o UpF no rescaldo da iniciativa realizada esta segunda-feira ao final da tarde.
Questões como os argumentos sobre as “dificuldades técnicas e financeiras” mereceram destaque e acabaram por receber a compreensão dos cidadãos que não aceitam a “ausência de informação, de planeamento e de uma visão para o futuro”.
Do encontro no Centro Cultural e Recreativo da Gafanha da Boavista, na segunda sessão do ciclo “A Fazer Tertúlias”, promovido pelo Movimento Unir para Fazer (UPF), os cerca de 60 participantes quiseram sinalizar a “importância” da questão e o “impacto que a interdição da ponte continua a ter no quotidiano de centenas de pessoas”.
O UpF resume o encontro com a necessidade de encontrar respostas no curto e no médio e longo prazo numa questão que vai além dos limites da Gafanha da Boavista e da Vista Alegre.
Habitantes da Gafanha do Carmo, Gafanha da Boa Hora, Moitinhos, Vale de Ílhavo, Lavandeira e Sosa sinalizam a ausência de travessia, interrompida desde a interdição em dezembro de 2025 por questões de segurança.
A autarquia de Ílhavo já tem em marcha o processo que visa a reabilitação da atual estrutura como resposta mais imediata num trabalho de equipas técnicas da Universidade de Aveiro e da própria autarquia.
E definiu a segurança estrutural da ponte como critério essencial nas decisões.
Os moradores concordam com o critério mas afirmam-se desiludidos perante a “ausência de respostas concretas, de soluções intermédias e de uma estratégia clara para o futuro”.
Meio ano depois do encerramento os populares dizem que continuam sem conhecer o “plano definido” e “cronograma”.
Depois de meses com várias declarações sobre o tema e com a autarquia a admitir regimes de travessia diferentes dos que vigoraram até dezembro, a esmagadora maioria dos participantes na tertúlia rejeitou uma solução que passe por uma ponte exclusivamente pedonal e ciclável.
Quanto à opção pela reabilitação, os moradores aprovam a decisão pela rapidez da resposta e admitem que deve vigorar uma solução temporária que “permita restabelecer a ligação o mais rapidamente possível, nomeadamente através da reparação da infraestrutura existente, mesmo que em condições de circulação condicionada, enquanto decorrem os procedimentos necessários para uma solução definitiva”.
Concordância quanto à importância da travessia e ao impacto direto que o encerramento da ponte teve nas suas vidas com aumento de custos para as famílias, mais tempo despendido em deslocações e maiores dificuldades na gestão das rotinas profissionais e pessoais.
Falam em quadro de “isolamento” admitindo tratar-se de uma zona com “oferta limitada de transportes públicos”.
O histórico da ponte foi relembrado para acentuar o esforço feito para unir as margens num tempo em que as soluções eram bem mais rudimentares.
Reclamam a atribuição de estatuto de “prioridade estratégica” à travessia em nome da “coesão territorial”.
Participantes na tertúlia afirmaram sentir que as suas necessidades “estão a ser desvalorizadas quando comparadas com outros investimentos realizados noutras zonas do concelho”.