Ílhavo: PSD e UpF rejeitam responsabilidade política na candidatura falhada aos apoios da DGA.

Atuais e antigos responsáveis políticos da Câmara de Ílhavo continuam a recusar responsabilidade política na exclusão de Ílhavo dos apoios da direção geral das artes para os próximos 4 anos.

O tema tem marcado o debate do último mês, entre o anterior e o atual executivo, com troca de acusações sobre a responsabilidade na não preparação da candidatura e submissão em tempo útil que deixou o Município afastado de apoios que poderiam representar 800 mil euros ao serviço da programação.

Depois do debate mantido em reunião de Câmara, no início de Abril, o tema voltou, agora, na Assembleia Municipal com o presidente da Câmara a apresentar um cronograma e a comparar as experiências de 2021 e 2025.

Rui Dias lembra que o UpF, chegado à Câmara de Ílhavo em 2021, encontrou um dossiê avançado pelo anterior executivo liderado por Fernando Caçoilo e garantiu os valores do apoio.

O atual autarca diz que João Campolargo teve 45 dias para concluir e formalizar a candidatura já avançada algo que, segundo o autarca, não aconteceu em 2025.

O aviso do concurso foi publicado em Agosto de 2025 com prazo para entrega até Outubro, prorrogado depois até 11 de Novembro.

A entrada em funções do novo executivo aconteceu no início de Novembro.

Rui Dias admite que existiu conversa com a equipa técnica mas não foi possível concluir a candidatura em tempo útil.

Aponta o dedo à herança recebida e sublinha que não havia “alerta de emergência” (com áudio).

Mariana Ramos pediu para responder às declarações e o momento acabou por abrir novo debate político na Assembleia.

A maioria não encontrou razões para “defesa da honra” mas foram várias as intervenções a defender o direito da antiga vereadora com a pasta da cultura poder falar desse processo.

Margarida Alves, do PSD, entende que em nenhum momento fora atingida a honra da antiga vereadora e que a Assembleia estaria a incorrer em desrespeito ao órgão ao permitir essa abertura a respostas referentes ao executivo municipal.

O contraponto chegaria da bancada do movimento independente Unir para Fazer que recorda práticas no mandato anterior.

Pinto Reis lembra que a AMI emitiu essa posição a instituições coletivas (partidos).

Paulo Pinto Santos, presidente da AMI, afirmou-se contra essa possibilidade de reposta ao considerar que não houver qualquer ataque pessoal mas tão só “discordâncias políticas”.

O PS defendeu flexibilidade da Mesa na gestão da defesa da honra.

Pedro Martins assumiu que votaria a favor caso a decisão fosse tomada em plenário.

A bancada do CDS afirma que é necessário clarificar as figuras regimentais para evitar discussões sempre que se levanta a questão.

António Pinho diz que estabelecer esse critério é importante para futuro.

No final e por decisão maioritária do plenário, Mariana Ramos subiu ao púlpito para falar sobre o processo.

Rui Dias demonstrou desagrado pela forma como o tema foi gerido na Assembleia.

O autarca de Ílhavo afirma que esta decisão abre “precedente gravíssimo” e acaba por inibir qualquer discurso sobre o passado político e o histórico dos processos (resumo das intervenções em áudio).

Mariana Ramos esclareceu que a metodologia seguida foi a mesma da candidatura de 2021 assente no esforço das equipas técnicas.

A antiga responsável pela pasta desafiou a nova maioria a olhar para todo o processo com objetividade assumindo as falhas que possam ter surgido (com áudio).