A concelhia de Ílhavo do PSD diz que é necessário “menos propaganda” e “mais responsabilidade política” por parte do UPF na questão da ponte.
É a reação à iniciativa do movimento independente sobre a ponte da Vista Alegre que promoveu uma tertúlia ao final da tarde da passada segunda-feira.
Horas antes dessa iniciativa que viria a reclamar uma posição clara por parte da autarquia, o PSD antecipou o encontro e respondeu a artigos publicados sobre o tema acusando o UpF de tentar fazer “prova de vida política” com a ponte.
A estrutura liderada por José Carapelho lembra que o Executivo já tinha passado pela Gafanha da Boavista para prestar esclarecimentos.
Defende que “nunca fugiu às suas responsabilidades neste dossier” e que nunca se escondeu em gabinetes.
E defende que o problema só se resolve com avaliação técnica das possibilidades, garantias de segurança e “solução sustentável para o futuro”, “sem colocar propaganda à frente do interesse público”.
Reafirma a “necessidade estratégica” daquela travessia ao nível da mobilidade das populações da Gafanha da Boavista e Vista Alegre e da coesão territorial.
Recorda que aprovou o concurso de ideias para uma nova travessia mas defende que esse projeto não pode ser feito a qualquer preço e visa o movimento depois de quatro anos de exercício sem que a ponte tenha merecido obra de manutenção profunda.
“Entre 2021 e 2025, enquanto o UPF liderava a Câmara Municipal de Ílhavo, a Ponte foi-se degradando progressivamente até ao atual encerramento por razões de segurança, das quais uma gestão autárquica consciente nunca abdicará. Hoje todos reconhecem, comprovam e testaram existirem problemas estruturais graves. O que o artigo do UPF convenientemente omite é que esses problemas não surgiram de um dia para o outro”.
Dados de 2023 referiam a ponte como estando em mau estado e na leitura do PSD a ausência de intervenções estruturais corretivas terá aberto caminho ao agravamento que culminou no encerramento em dezembro de 2025.
Acusa ainda o movimento de ter avançado para o concurso de ideias de uma nova ponte “sem garantir previamente os estudos técnicos essenciais que sustentassem a viabilidade da solução apresentada”.
Dados do estudo geotécnico viriam a levantar novas exigência e o custo do projeto disparou para valores próximos dos quatro milhões de euros.
“O que o PSD recusou foi transformar um concurso de ideias numa imposição política sem debate público, sem maturidade técnica consolidada e sem avaliação financeira responsável, criando uma ilusão na comunidade que ainda hoje tentam implementar, esquecendo todo o histórico nos últimos quatro anos de gestão autárquica e sem explicarem à população como iriam executar o projeto, que alternativas haveria, como financiariam o investimento e que impactos teria no orçamento municipal”.
Os Sociais Democratas de Ílhavo defendem-se da acusação de “oposição ideológica” à nova ponte.
“Essa narrativa é falsa. O PSD nunca afirmou que não haveria nova ponte. O que o PSD afirmou foi algo muito simples e sensato: qualquer solução teria de ser tecnicamente sustentada, financeiramente equilibrada e enquadrada numa visão séria para o território”.
Os relatórios técnicos apresentados pela UA levaram a autarquia a priorizar a reabilitação da atual estrutura e o PSD responde às acusações com ataque à gestão de João Campolargo por não ter decidido o encerramento preventivo mais cedo.
“A verdade é que a gestão deste processo pelo UPF ficou marcada por sucessivos erros de planeamento: ausência atempada de estudos fundamentais, subavaliação dos custos reais da intervenção, falta de discussão pública, insistência numa solução única e incapacidade de prevenir o agravamento do estado da ponte entre 2021 e 2025”.
A concelhia do PSD sai em defesa do executivo e aprova a via seguida na gestão do dossiê.
“O PSD não fará política com ilusões, nem com promessas fáceis. A população da Gafanha da Boavista e da Vista Alegre merece mais do que slogans ou artigos de autojustificação. Merece transparência, segurança e soluções credíveis. Merece uma gestão autárquica séria e responsável, mesmo que suscetível de críticas às quais a Câmara Municipal e o PSD de Ílhavo nunca virarão costas”.