O movimento independente Unir para Fazer diz que foi com surpresa que foi confrontado com a proposta para aumento de impostos lançada pela nova maioria camarária liderada por Rui Dias.
A medida foi chumbada com votos de 3 eleitos do UpF e da vereadora eleita pelo PS.
O movimento vem a público defender que esta opção “contrasta” com o percurso seguido pelo UPF ao longo dos últimos quatro anos, “período em que foi possível reduzir a carga fiscal, promovendo simultaneamente uma gestão rigorosa e responsável das finanças municipais”.
Diz que representa, ainda, contradição com as posições assumidas pelo PSD ao longo do último mandato, enquanto principal partido da oposição no Município de Ílhavo.
A taxa tinha sofrido reduções ao longo de quatro anos, de 0,33%, em 2021, para 0,30% em 2025, fixando-se nesta altura na taxa mínima legal.
Na reunião desta quinta foi proposta a subida para 0,35%.
“Para além de contrariar o discurso assumido pelo PSD nos últimos anos, trata-se de uma decisão que não constava do programa eleitoral da AD, nem foi assumida durante a campanha eleitoral”, justifica o UpF.
Relativamente ao IRS municipal, o UPF compara a taxa de 4% nos últimos quatro anos contrastando com o agravamento para 4,5% decidido hoje.
Neste caso, a oposição optou pela abstenção, uma vez que a rejeição da proposta implicaria automaticamente a aplicação da taxa máxima de 5%, o que representaria uma penalização ainda maior para as famílias.
Quanto à Derrama manteve valores e colheu voto favorável do UpF em linha com os valores dos últimos quatro anos.
Os independentes falam em “postura responsável e equilibrada” e deixam críticas ao PSD e ao CDS a quem acusam de delinear uma estratégia fiscal assente nos cidadãos.
“Para o Unir Para Fazer (UPF) torna-se igualmente claro que o atual Executivo acaba por confirmar que várias das políticas prometidas durante a campanha eleitoral são irrealistas, verificando-se agora que a sua concretização depende do agravamento da carga fiscal sobre os munícipes, opção que o Unir para Fazer não acompanha, nem subscreve”.
Defende que a herança financeira é positiva e não justifica agravamento fiscal.
“A narrativa agora apresentada pelo PSD de ausência de soluções, ou de falta de recursos financeiros, não é aceitável, tanto mais que o mandato 2021–2025 foi pautado por total transparência na execução financeira, com decisões de investimento partilhadas com a oposição e aprovadas por unanimidade. Esses investimentos permitiram a intervenção em importantes infraestruturas nas áreas da Educação, Saúde e Habitação, com impacto direto e positivo na vida das pessoas”.
Quanto aos constrangimentos com a gestão de obras PRR, o UpF defende que com financiamento garantido e projetos em curso será necessário cumprir prazos e “diligenciar junto da Administração Central o reforço das comparticipações, com eficácia e competência, no interesse do concelho”.