A Assembleia Municipal de Ílhavo aprovou, por maioria, a "Demonstração do Desempenho Orçamental e a 1.ª Revisão onde se integra o Saldo de Gerência de 2025" com “surpresas” que reforçam os cofres da autarquia.
O saldo de gerência ronda 1 milhão de euros e a autarquia viu entrar nas contas 794 mil euros referentes à derrama de 2024, entregue em dezembro de 2025, e 528 mil euros do IMI de 2021, entregue em fevereiro deste ano, garantindo desafogo.
Depois de um início de ano marcado pelo debate sobre Plano e Orçamento e com a nova maioria camarária a alegar dificuldades de tesouraria, tendo mesmo chegado a propor aumento de IMI, os partidos da oposição dizem que dois meses depois fica confirmado que o quadro não era assim tão negro.
Rui Dias admite que as variáveis não estavam todas sob controlo mas confessa que a entrada de receita acaba por ajudar, ainda que não deva ser tomada como resposta para todos os problemas.
O debate acabou com decisão tomada por maioria.
Votos favoráveis do PSD, do CDS e do Chega e abstenções das bancadas do movimento independente “Unir para Fazer” e do PS.
Pinto Reis, do UpF, admitiu essa surpresa e deixou claro que uma mudança tão rápida deixa uma “sensação desagradável” por verificar que as premissas do debate em janeiro tenham sido alteradas em tão pouco tempo condicionando o debate político.
Questiona ainda o facto da maioria ter colocado 3 milhões de euros “para outros investimentos” sem que se perceba qual o fim.
Uma decisão associada aos encargos com a recolha de resíduos que levanta dúvidas no UpF.
Sérgio Lopes, do PS, lamentou que o tema não tenha passado por uma reunião pública de Câmara mas pela reunião privada retirando visibilidade ao dossiê.
O vogal socialista entende que fica confirmado o que o PS tem dito sobre a situação financeira.
Afirma que uma coisa são constrangimentos de tesouraria e outra desequilíbrios financeiros.
Diz que a maioria poderia ter recorrido a um empréstimo de curto prazo e não avançar com propostas de aumento de carga fiscal assentes num argumento que dois meses depois cai por terra.
E lembra que, no passado dos social democratas na autarquia, a Câmara de Ílhavo chegou a ter dívida de 11 milhões a fornecedores em 2011 sem que isso tenha impedido forte investimento.
E nessa altura com encargos que pesaram sobre os Munícipes sob a forma de impostos mais pesados.
Flor Agostinho, do PSD, lembra que a redução de saldo fica a dever-se às obras PRR e a trabalhos em ano eleitoral.
Depois de anos com saldos expressivos, 2025 deixou margem mais curta em função de investimentos que consumiram recursos e um quadro que limita as possibilidades de investimento.
Elogiou os funcionários autárquicos que foram obrigados a repensar alguns projetos e a cortar na despesa setorial.
Rui Dias arrefece o otimismo dos deputados.
Lembra que o PRR e a devolução de verbas logo que as obras estejam concluídas não vão chegar para pagar os valores na íntegra.
O autarca de Ílhavo admite que mesmo com a entrada de verbas do passado a gestão continua sob pressão.
Um quadro que deverá abrir caminho ao pedido de empréstimo bancário (com áudio)