Feira de Março: Protesto do setor da restauração exige revisão do modelo de acesso.

Protesto no setor da restauração na Feira de Março interrompeu o serviço ontem durante algumas horas.

Os estabelecimentos chegaram a estar encerrados em protesto com a autarquia devido ao entendimento sobre como deve ser o futuro do acesso à feira em matérias de concurso.

Os empresários defendem uma solução mais estável em contrato com cada empresa.

Este é o primeiro momento de instabilidade depois de nos últimos anos o certame ter registado acalmia na relação entre entidade gestora e empresários.

Com as presenças dependentes de concurso público, os empresários defendem a introdução de um modelo mais estável numa relação mais direta entre empresas e Aveiro Parque Expo valorizando a antiguidade.

A Câmara de Aveiro está em silêncio mas o vereador do Chgea, que no passado geriu o parque de feiras e de quem se diz poder vir a entrar no executivo, já tomou posição.

Admite que devem ser abordadas as questões levantadas mas desaconselha a cedência a pressões.

“O que ocorreu, neste contexto e no entanto, não foi apenas uma manifestação espontânea de descontentamento. Foi, na prática, um exercício de pressão sobre a Câmara Municipal de Aveiro e a Aveiro Parquexpo, num momento em que o certame decorre e em que milhares de visitantes e famílias confiam no seu normal e tranquilo funcionamento. E quero dizer, sem rodeios ou meias tintas, que governar não é ceder à chantagem”.

Diogo Machado assume a afirmação com a experiência de oito anos na direção da Aveiro Expo.

Fala de um certame com as suas “tensões” deixando aviso para o risco de cedências uma vez que quem “cede uma vez raramente encontra o caminho de volta”.

Fala em obrigação de “garantir regras claras, transparentes e equitativas para todos os operadores” mas também a obrigação de assegurar “mecanismos concorrenciais”.

E defende que neste tipo de eventos “não há direitos adquiridos”.

“Caso contrário, institucionaliza-se o privilégio e bloqueia-se a renovação.”

Machado apela ao diálogo mas alerta Luís Souto Miranda para a necessidade de ser rigoroso sem ceder a pressões.

“A Feira de Março não é apenas um espaço de negócio ou diversão. É um activo estratégico do Município, com impacto económico, turístico e identitário. A sua gestão exige previsibilidade, autoridade e visão de longo prazo - não decisões tomadas à pressa para apagar fogos mediáticos. Em síntese: dialogar, sempre. Rever, se necessário. Mas ceder a chantagens, nunca. Porque quando o poder público abdica da sua posição, deixa de governar e passa a reagir”.