O PSD Ílhavo reage à tomada de posição do movimento independente Unir para Fazer sobre a ponte da Vista Alegre e defende que não há soluções milagrosas em 100 dias de mandato numa questão que implica segurança e que deve ser sustentada em estudos e rigor científico.
Numa fase em que segue em aberto o futuro da travessia entre a Vista Alegre e a Gafanha da Boavista, com ligação interrompida devido ao estado de degradação da ponte existente, em madeira, continua a incerteza quanto à solução.
Estudos da Universidade de Aveiro avaliam o estado da ponte e a viabilidade de uma reparação que permita ganhar tempo para pensar numa nova travessia ou a abertura de processo para uma nova ponte.
A concelhia de Ílhavo do PSD sai em defesa da maioria AD e afirma-se defensora de um modelo que privilegie o planeamento para “garantir futuro e a segurança das pessoas” afastando-se de “soluções improvisadas”.
A estrutura social democrata, agora liderada por José Carapelho, entende que a “pressa nunca foi boa conselheira” deixando claro que o método seguido no início de mandato é o mais acertado.
Elogia a atitude da equipa camarária liderada por Rui Dias de apostar num modelo de trabalho que assenta na “segurança e eficácia”, com “proximidade e abertura” à sociedade civil.
Defende que esses valores estão a baralhar a oposição para quem a ponte passou a ser o assunto central à “falta de melhor”.
Afirma que a ponte veio ocupar um “vazio de substância política”, uma verdadeira “bandeira de oposição”, mas num quadro que não favorece a própria oposição.
O PSD diz que meter mãos numa bandeira depois de quatro anos em que o movimento “não soube nem conseguiu erguer” a Ponte da Vista Alegre é “muito pouco”.
Elogia a presença da maioria camarária em sessão de esclarecimento com a população assumindo-o como momento de “frontalidade”.
“Sem demagogias, nem falsas promessas”, realça a concelhia social democrata.
O tema regressou à agenda em recente reunião de Câmara e os social democratas saem a público em defesa do “trabalho” e “estratégia” do Executivo Municipal.
Dizem que exigir em poucos meses o que quatro anos não chegaram para fazer não é aceitável.
“Durante esses quatro anos, tiveram todas as condições políticas e administrativas para preparar uma solução sólida, técnica e financeiramente responsável para aquela travessia”.
“No entanto, aquilo que deixaram não foi uma solução pronta a avançar, nem um projeto devidamente fundamentado”.
O PSD viaja ao mandato anterior para recordar que o processo da nova ponte.
“O que deixaram foi, na verdade, um processo incompleto, baseado num concurso de ideias sem os estudos técnicos essenciais, nomeadamente sem um estudo geotécnico prévio e sem uma definição adequada da estrutura da futura ponte”.
A derrapagem no custo, de uma estimativa inicial de 600 mil euros para uma obra de 3 milhões, a falta de estudos técnicos prévios ao concurso, levam o PSD a considerar que se tratou de um dossiê assente em “fragilidade técnica e financeira”.
“É, por isso, no mínimo surpreendente assistirmos agora a uma postura de exigência por parte do Movimento Unir Para Fazer que, durante quatro anos, não conseguiu apresentar uma solução tecnicamente sustentada e financeiramente credível para este problema”.
Para a estrutura liderada por José Carapelho, o Município de Ílhavo “precisa de uma solução tecnicamente sólida, financeiramente responsável e verdadeiramente executável, e não de projetos que existiam apenas em sonhos megalómanos, numa ânsia desesperada para, em final de mandato, erguerem a denominada obra de regime, ou de promessas que ignoram a realidade técnica, a segurança de todos e a sustentabilidade orçamental”.
O presidente da concelhia, que é autarca na Gafanha da Encarnação, afirma que as decisões devem ser “suportadas por estudos técnicos e análises rigorosos e projetos bem fundamentados” e que essa é uma marca de diferença entre os executivos de João Campolargo e Rui Dias.
O PSD encontra no discurso do movimento independente um exercício para “alimentar populismos” sem dados que ajudem a resolver o problema concreto da Ponte.
“Causa estranheza que, aqueles que demoraram quatro anos a produzir um processo incompleto, venham agora exigir ao atual Executivo Municipal que em apenas três meses avance com decisões e até com uma obra que, para além de não estar devidamente preparada, não corresponde necessariamente à solução mais adequada para o Município como um território coeso e equitativo”.