O CDS-PP absteve-se na votação para a integração do vereador do Chega na solução governativa que garante mais um vereador na equipa da maioria formada por PSD e CDS mas avisa que vai estar vigilante para assegurar o cumprimento do modelo de governação.
Diz que o faz depois de obter garantias junto do presidente da Câmara mas também com críticas à forma como o processo foi conduzido por Luís Souto Miranda.
Ana Cláudia Oliveira, vereadora eleita pelo CDS e presidente de concelhia, justifica a abstenção na reunião desta manhã com a necessidade de garantir a estabilidade política em Aveiro.
Onde cabiam dois parceiros de coligação, passam a funcionar três forças (PSD, CDS e Chega) com a inclusão de mais um vereador em regime de tempo inteiro.
Antes da votação, o CDS-PP exigiu garantias quanto à “manutenção integral” do programa eleitoral da “Aliança com Aveiro” e a “continuidade das prioridades estratégicas do executivo”, nomeadamente nas áreas social, de inclusão, de proximidade, de coesão social, de apoio ao movimento associativo e de política cultural, bem como do modelo de governação assente no “consenso e na estabilidade da coligação”.
O CDS, parceiro histórico do PSD, em duas décadas de coligações não esconde o desconforto pela forma como Luís Souto geriu o processo.
Lembra que o que está em causa “não é um detalhe administrativo”, mas uma “decisão com implicações políticas relevantes” com “alteração ao modelo de governação sufragado pelos Aveirenses”.
Defende que o projeto assente na “continuidade” e na “coerência” deve assegurar “respeito institucional” e “reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos anteriores executivos municipais”, princípios que considera “essenciais para a estabilidade e credibilidade da governação”.
O cartão amarelo a Luís Souto regista uma nota aberta sobre a falta de diálogo prévio ao acordo.
“O CDS-PP não foi parte de qualquer entendimento que sustente esta solução política e entende que decisões com este alcance deveriam ter sido objeto de concertação entre todos os parceiros da coligação, em respeito pelos princípios de lealdade institucional e pelos compromissos assumidos perante os eleitores”.
A abstenção, segundo Ana Cláudia Oliveira, visa a “necessidade de garantir a estabilidade do executivo municipal”.
Refere que “não acompanhando a solução proposta” não quer contribuir para “qualquer cenário de bloqueio ou de instabilidade no funcionamento da Câmara Municipal”.
O parceiro de coligação afirma manter atuação responsável, em respeito pelo projeto político que ajudou a construir.
“O CDS manter-se-á fiel ao projeto ‘Aliança com Aveiro’, leal aos seus princípios e comprometido com o objetivo de continuar a servir o Município com seriedade e sentido de dever público, mantendo-se simultaneamente vigilante e atento a qualquer evolução do modelo de governação, que deverá, em qualquer circunstância, respeitar o quadro político sufragado e envolver todos os seus parceiros”.