Autarquias estudam reforço do transporte público entre Ílhavo e Aveiro.

Autarcas e técnicos de Ílhavo e Aveiro de novo reunidos num encontro que coloca mobilidade, acessibilidade e ligações entre os dois municípios no centro das preocupações.

Transportes públicos mais eficazes, bicicletas de utilização comum com raio de ação alargado, pistas cicláveis e a via panorâmica para poder desenhar uma proposta para o metrobus são ideias discutidas em mais uma cimeira.

Foi o terceiro encontro que mantém a mobilidade como prioridade nas políticas públicas.

A acessibilidade e as deslocações quotidianas continuam a preocupar as autarquias.

Com base nos Censos de 2021, 26,28% da população residente no Município de Ílhavo deslocava-se para Aveiro para trabalhar ou estudar, enquanto 10,88% correspondia à proporção de população que entrava no Município de Ílhavo para os mesmos fins.

Os dados revelam ainda uma diferença significativa nos tempos médios das deslocações pendulares: 14,76 minutos em transporte individual, contra 38,43 minutos em transporte coletivo.

Diferença evidencia a importância de melhorar a competitividade dos transportes públicos, tornando-os uma alternativa considerada nas deslocações diárias.

Os números dos Censos de 2021 apontam igualmente para uma forte dependência do automóvel, utilizado em cerca de 76% das deslocações dominantes, segundo dados citados no debate técnico sobre a mobilidade regional.

O encontro desta terça-feira constituiu mais uma oportunidade para aprofundar soluções conjuntas, articulando planeamento territorial, transportes públicos, mobilidade ciclável e gestão dos acessos às praias.

A futura via panorâmica de ligação entre Aveiro e Ílhavo foi um dos principais temas em análise, em articulação com a proposta de criação de um sistema de transporte público do tipo metrobus.

As autarquias assumem que o avanço desta solução deverá ser feito em diálogo com a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), “implicando o desenvolvimento de um projeto tecnicamente fundamentado, uma avaliação aprofundada da procura potencial, dos custos de investimento e exploração, do percurso mais adequado e dos benefícios esperados para a população”.

Rui Dias e Luís Souto Miranda assumem que só desta forma será preparada uma “proposta robusta” para apresentar o projeto ao Governo, procurando reunir condições e apoios para o seu desenvolvimento.

A criação de uma ligação ciclável contínua entre Aveiro, Ílhavo e as praias da Barra e da Costa Nova mantém-se como outro dos eixos prioritários da reflexão apontando para o estudo do alargamento da rede de bicicletas partilhadas e a introdução de bicicletas elétricas, que poderão facilitar deslocações de maior distância e ampliar o universo de utilizadores.

As autarquias manifestam interesse em reforçar as ligações da BusWay avaliando frequências, horários, tempos de viagem, capacidade de resposta às entradas e saídas dos principais locais de trabalho e ensino e as necessidades dos utilizadores que dependem do transporte coletivo.

Com os acessos saturados às praias em tempo de verão, os Municípios procuram soluções alternativas em trabalho de cooperação.

“A III Cimeira Ílhavo–Aveiro reafirma a importância de aprofundar a cooperação intermunicipal perante desafios que não se esgotam nos limites administrativos de cada município.

O desafio passa por transformar a cooperação política e institucional em projetos tecnicamente fundamentados, financeiramente sustentáveis e acompanhados por objetivos, prazos e indicadores de execução”.

O encontro decorreu no dia em que, simbolicamente, duas comerciantes de Ílhavo mostraram desagrado, à porta da Câmara de Ílhavo, pela falta de alternativas de estacionamento de apoio ao comércio local no centro da cidade.

Alegam que a fiscalização ao estacionamento não é feita de forma “justa e equilibrada” e que essa política restritiva afasta consumidores do centro da cidade.

“Não somos contra a fiscalização, somos a favor da igualdade, do bom senso e de soluções justas para todos. É preciso criar condições para que as pessoas possam vir a Ílhavo, estacionar e consumir no comércio local, sem sentirem que são constantemente penalizadas”.

A pressão nos acessos mas também no parqueamento em zonas centrais é tema comum às cidades de Ílhavo e de Aveiro.