Aveiro: PCP contesta declarações de Luís Souto sobre artistas de rua.

O PCP “condena” declarações do Presidente da Câmara de Aveiro, Luís Souto Miranda, no 1.º Encontro com os agentes culturais do Concelho.

Diz que o autarca associou, forma “indiscriminada e ofensiva”, artistas de rua a “fenómenos de marginalidade e criminalidade”.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a concelhia do PCP diz que são declarações “desprovidas de qualquer fundamento factual” e considera que seguem um padrão.

“Ao confundir a expressão artística no espaço público com atos ilícitos, o executivo demonstra um profundo distanciamento da realidade destes trabalhadores. Este desprezo pela Cultura tem sido evidente em opções políticas de fundo, como a extinção do pelouro da Cultura e do respetivo cargo de Vereador na Câmara Municipal de Aveiro, uma decisão que deixou o setor sem uma interlocução política direta e devidamente capacitada”.

“A arte de rua é um pilar da democratização do acesso à cultura e um direito à fruição do espaço público. Quando um responsável político utiliza boatos e estereótipos para criminalizar quem faz da rua o seu palco, está a atacar a própria dignidade de quem trabalha e a identidade de Aveiro. Uma cidade que se pretende cosmopolita não pode aceitar um discurso que desumaniza os agentes culturais para justificar a falta de investimento ou o pendor repressivo da sua gestão”.

Acusa ainda a maioria de falta de “visão estratégica e transparente” ao nível da gestão dos equipamentos municipais.

Na véspera da apresentação da nova programadora, o PCP fala em “inexistência de concursos públicos de recrutamento para a direção artística e programação do Teatro Aveirense”.

“Ao optar por modelos de nomeação que evitam o escrutínio e a participação democrática, a autarquia remete a Cultura para um plano meramente discricionário”.