Águeda: Ponte cultural com Cabo Verde é para manter.

Um projeto para manter na união entre Portugal e África.

A 2.ª edição do Kriol Jazz e a 1.ª edição do Kontornu em Portugal reforçou a ligação entre Águeda e Cabo Verde com música, dança e gastronomia.

Águeda voltou a ser ponto de encontro entre culturas ao acolher mais uma edição do Kriol Jazz Festival, que regressou a Portugal e reforçou a parceria com Cabo Verde. 

Pela primeira vez, o evento, que decorreu maioritariamente no Centro de Artes de Águeda, integrou também o Kontornu – Festival Internacional de Dança & Artes Performativas, alargando a programação e diversificando a oferta cultural.

Ao longo de três dias, Águeda viveu a cor, o ritmo, os sons e a identidade cabo-verdiana.

O festival cruzou linguagens artísticas, ultrapassou o formato tradicional de concertos e expandiu-se para diferentes espaços, incluindo atividades ao ar livre, gastronomia, artesanato e instalações artísticas.

A presença das batukadeiras (através da Associação de Mulheres Cabo-Verdianas na Diáspora em Portugal), com workshop de batuco e de confeção de cachupa, bem como atuações de artistas de renome marcaram esta edição.

Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda, classificou a realização deste evento como um momento “diferenciador” e mesmo “espetacular para a cultura do concelho, da nossa região e do país”, sublinhando a importância de acolher um festival com fortes raízes em Cabo Verde.

O autarca destacou o caráter excecional do evento, lembrando que “só acontece fora de África em Águeda”, resultado de uma parceria e “relação de proximidade e de amizade com Cabo Verde que permite este feito absolutamente extraordinário e que queremos continuar a fortalecer”.

Também Jorge Figueiredo, Ministro da Saúde de Cabo Verde, evidenciou a profundidade da relação construída.

“Confesso que não esperava encontrar um espaço e uma ligação tão forte como a que encontrei aqui. Isto demonstra que esta relação é para ficar”, afirmou, sublinhando a história comum marcada pela diáspora.

“Para nós, o mar sempre foi estrada. Liga, leva e traz cultura. Hoje sentimos que estamos em casa”, declarou visivelmente satisfeito pelo ambiente que viveu estes dias em Águeda.

A Encarregada de Negócios da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, Ana Pires, destacou a dimensão simbólica e emocional do evento, em particular o papel do batuque. “É algo que mexe profundamente com os cabo-verdianos, especialmente com as mulheres, que são o fundamento da nossa sociedade. É uma expressão de resistência cultural”, referiu, acrescentando que “o povo de Águeda também traduz a morabeza”, num acolhimento que deixou “muita saudade”.

A comitiva institucional que visitou Águeda nestes três dias integrou ainda a Diretora-Geral das Artes e das Indústrias Criativas, Eliane Lopes, e a Gestora do Centro Cultural de Cabo Verde, Ângela Barbosa.

Eliane Lopes destacou a importância da ligação cultural entre Portugal e Cabo Verde.

“Este projeto permite a internacionalização da cultura cabo-verdiana. Pela primeira vez, o Kriol Jazz é exportado e Águeda foi a cidade que tornou isso possível. É um motivo de grande satisfação dar continuidade a esta parceria”, frisou, em tom de gratidão e de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.