Biochar nas vinhas: será que muda o sabor do vinho?
Existe um interesse crescente em ajudar as vinhas da região mediterrânica a adaptarem-se a um clima cada vez mais quente e seco, mantendo a produtividade e reduzindo a dependência da rega.
No Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, começámos por demonstrar que o biochar, um material semelhante ao carvão produzido a partir de resíduos de biomassa, quando incorporado no solo, pode aumentar a retenção de água e reduzir o stress hídrico nas videiras. No entanto, antes de ser adotado pelo setor vitivinícola, é necessário garantir que o biochar não compromete o aroma e o sabor das uvas e do vinho.
Para investigar esta questão, aplicámos biochar, isoladamente e em mistura com composto, em doses agronómicas típicas, numa vinha comercial de Sauvignon Blanc de sequeiro, em colaboração com a Estação Vitivinícola da Bairrada da DRAPC, em Anadia.
Após dois anos, o biochar não alterou a composição das uvas nem os compostos voláteis responsáveis pelo aroma e sabor do vinho.
Os nossos resultados sugerem que o biochar pode ser utilizado em vinhas comerciais para ajudar a viticultura a enfrentar as alterações climáticas, sem comprometer a qualidade das uvas ou do vinho, pelo menos a curto e médio prazo.
Episódios
-
Imagem
Reutilização de Água em Portugal06.07.2026OuvirPortugal produz 500 milhões de metros cúbicos de águas residuais por ano. Sabe quanto reutilizamos? Apenas 1,2%. O resto volta aos rios e ao mar — enquanto o Alentejo e o Algarve enfrentam secas extremas.
Parece um contra-senso, não parece?
-
Imagem
Florestas que renascem — e a ciência por trás delas29.06.2026OuvirFlorestas que renascem — e a ciência por trás delas
A Mata Nacional das Dunas de Quiaios foi devastada pelos incêndios de 2017. Hoje, investigadores da Universidade de Aveiro estão a devolvê-la à vida.
O projeto CCforBio — premiado pela Fundação Belmiro de Azevedo — interveio em quatro hectares junto a uma linha de água: eliminou invasoras, melhorou o solo e plantou sete espécies nativas. Resultado: um ecossistema perturbado a recuperar diversidade.
-
Imagem
Resíduos têxteis: um desafio global com raízes locais22.06.2026OuvirEm 2022, a Europa gerou quase 7 milhões de toneladas de resíduos têxteis — 16 kg por habitante. Desse total, menos de 5 kg foram recolhidos de forma seletiva. Os restantes 11 kg? Misturados no lixo comum.
A indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo, mas também uma das mais importantes: representa 2% do PIB global. Em Portugal, o peso é ainda maior — 10% das exportações, 20% do emprego industrial e um dos poucos setores com saldo comercial positivo.
-
Imagem
Engenharia do Ambiente - Profissão de futuro15.06.2026OuvirA engenharia do ambiente está entre as 15 profissões que mais vão crescer no mundo até 2030. Quem o diz é o Fórum Económico Mundial e os dados do Eurostat confirmam a tendência: na Europa, o setor ambiental criou mais de dois milhões de empregos numa década. E o valor gerado por este setor quase duplicou desde 2014.
-
Imagem
Valorização de Resíduos08.06.2026OuvirQuando pensamos em resíduos, pensamos quase sempre em lixo.
Mas... e se parte desses resíduos, pudessem ser transformados em energia?
A valorização de resíduos parte exatamente dessa ideia: dar uma segunda vida a materiais que normalmente iriam para aterro — e, no processo, ajudar a construir um mundo mais limpo, mais circular, mais sustentável.