A Universidade de Aveiro cumpre a primeira fase do satélite CorkSat com sucesso.
Apresentado à comunidade e posto no ar, a umas escassas dezenas de metros do solo, transmitindo dados para um posto em terra, o inovador CubeSat da Universidade de Aveiro (UA) cumpriu com sucesso a primeira fase do seu desenvolvimento.
A apresentação aconteceu durante o evento “Satélites na Universidade de Aveiro”, a 3 de julho, que incluiu ainda a inauguração de um laboratório pioneiro em Portugal na área da Engenharia Aeroespacial.
A cortiça tem diversas vantagens: é um material natural e renovável, é um eficaz isolante e é leve, todas estas são vantagens num dispositivo que vai ser colocado em órbita e que chegará, como todos os satélites, ao final da sua vida útil, a certa altura, e será destruído entrado na atmosfera terrestre.
A cortiça, por outro lado, tem um especial significado na cultura e na economia de Portugal e da região de Aveiro.
Essas vantagens motivaram Nuno Borges de Carvalho, diretor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), e Martinho Oliveira, diretor da Escola Superior Aveiro Norte, a desbravar este novo caminho na Engenharia Aeroespacial.
Martinho Oliveira, também investigador na área dos materiais para além de diretor da ESAN, sublinhou, durante o evento intitulado “Satélites na Universidade de Aveiro”, este papel pioneiro e experimental do novo dispositivo. Mas as inovações não são apenas estas. O CorkSat, da tipologia CubeSat, inclui ainda sistemas inovadores de monitorização da degradação da cortiça (em funcionamento quando for lançado) e de monitorização espectral. Por fora é revestido com painéis fotovoltaicos afixados à estrutura cúbica em cortiça.
Este é um projeto multidisciplinar e colaborativo que resulta do trabalho de uma equipa que já totaliza mais de 50 membros, com financiamento da Agenda PRR New Space Portugal: professores, investigadores e alunos de Engenharias Aeroespacial, de Computadores e Informática, Física, e Mecânica, para além de membros da comunidade da ESAN, unidade de escola superior da UA localizada em Oliveira de Azeméis.
O projeto foi dividido em três fases: a primeira que se cumpriu a 3 de julho, com apresentação pública à comunidade e lançamento acoplado a um drone que elevou o satélite a algumas dezenas de metros.
Uma segunda fase que, com apoio de um balão meteorológico, vai elevar o CorkSat a alguns quilómetros de altura e, finalmente, a colocação em órbita terrestre que implica conseguir oportunidade de lançamento, só possível com financiamento extra da ordem das dezenas de milhar de euros.
Para isso, Nuno Borges de Carvalho fala na possibilidade de criar uma parceria alargada com empresas que se disponibilizem para financiar o lançamento, sendo devidamente reconhecidas por esse envolvimento.
A tecnologia do CorkSat está patenteada com o apoio da UACOOPERA, a estrutura responsável na UA pela identificação e instrução interna dos processos de proteção de direitos de Propriedade Intelectual.
O programa do evento “Satélites na Universidade de Aveiro” incluiu, ainda, a inauguração e apresentação, por Pedro Casau (professor do DETI), de um inovador laboratório de Engenharia Aeroespacial instalado no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA.
Este novo laboratório permitirá testar, validar e experimentar satélites e drones, contando com infraestruturas inovadoras no contexto nacional, nomeadamente uma gaiola de Helmholtz e uma plataforma de air bearing.
A gaiola de Helmholtz é um equipamento constituído por três pares de bobinas que permite reproduzir, em laboratório, o campo magnético terrestre.
Desta forma, é possível testar e calibrar magnetómetros, magnetotorquers e algoritmos de controlo de atitude exatamente como irão funcionar em órbita.
Por outro lado, a plataforma de air bearing utiliza uma fina camada de ar para praticamente eliminar o atrito entre a plataforma e a sua base.
Isto permite simular a ausência de gravidade relativamente ao movimento rotacional do satélite, possibilitando validar sistemas de orientação, sensores e software de controlo antes do lançamento.
Em conjunto, estas duas infraestruturas permitem reproduzir em laboratório condições muito próximas das encontradas no espaço.
Texto e foto: UA